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3.2.11

Tenho saudades de quando achava que sabia como tirar da vida aquilo que dela quero (lá por volta de 1996).

7.10.10

Pátria

Ando com umas saudades de Lisboa, pareço emigra de longo curso.

18.6.10

Saramago, um adeus ibérico

(Publicado originalmente no outro blog onde escrevo.)



José Saramago é uma figura ibérica por excelência. Nasceu em Portugal (Azinhaga, Golegã, 16 de Novembro de 1922) e faleceu hoje, aos 87 anos, em Lanzarote, onde vivia há desde o início dos anos noventa com esposa Pilar del Río.

Muito ainda se dirá ainda sobre este escritor, roteirista, jornalista, dramaturgo e poeta português, cujas origens humildes não impediram que se tornasse num dos maiores escritores portugueses de todos os tempos, tendo sido galardoado com o Nobel de Literatura de 1998, entre muitos outros. Saramago foi o principal responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. Conhecido pelo seu ateísmo e iberismo, foi também membro do Partido Comunista Português e director do Diário de Notícias.

Para a história ficam, entre muitos outros, "O Memorial do Convento", "O Evangelho segundo Jesus Cristo", e mais recentemente os seus "Ensaios", dos quais o "Ensaio sobre a Cegueira" acabou por popularizar-se ainda mais ao ser adaptado para cinema.


Saramago deixa-nos, e goste-se ou não da figura, ou do seu estilo de escrita, fica a certeza que a literatura portuguesa é a partir de hoje bastante mais pobre.

Agora o que sinto: estou triste, estou. Lá a cena dele ser comunista é o de menos, eu amo os livros dele e é tão bom ler em português de verdade, sem tradução pelo meio. Nunca me fez confusão o estilo, ao fim de umas páginas uma pessoa já percebeu a lógica, e isso que eu tinha 12 anos quando li o Evangelho. Portanto, não percebo mesmo quando me dizem que não conseguem ler Saramago por causa da forma de escrever. Tipo, ok, é mais fácil ver televisão (o problema é mesmo esse, demasiada televisão).

Conheço perfeitamente a Azinhaga visto que os meus avós dão da Golegã. Vendo como aquilo é hoje, e sabendo pelos meus avós como era em 1922, parece-me ainda mais incrivel que o puto José se tenha podido converter no grande Saramago. Há pessoas realmente especiais.

Depois, o Saramago é um iberista convicto. Isso torna-o ainda mais único. Não é nada fácil ser-se iberista.

Ai Saramago, já sinto a falta dos livros que não mais escreverás.

15.4.10

Everybody loves Hugo*



E eu não sou excepção.

E depois ele diz coisas adoráveis como esta:

"You and me, trekking through the jungle, on our way to do something we don't quite understand. Good times."

Que é mais ou menos como eu geralmente me sinto perante a vida.

Vou ter saudades do Hugo.






* só para viciados em Lost

13.4.10

Grande notícia para o colectivo ISTense

Alameda is back!

Para todos aqueles que, como eu, viram a Alameda ser feita em fanicos pelos estaleiros das eternas obras do metro, aqui está a boa nova. A Alameda as it once was está quase, quase de volta. Com relva novinha e fresquinha incluída.

26.3.10

A caminho do Verão

Apesar do São Pedro ser um bandido que, ainda não contente com os cinco nevões que se abateram este ano sobre Madrid, resolveu enviar mais chuva-vento-frio - o trinómio da depressão aguda por excelência - há coisas que não se podem evitar.

O Verão vem aí, se não fisicamente, pelo menos na cabeça de todos nós, gatos* nascidos ou adoptados por esta Madrid das terrazas fulgurantes. Por isso, por muito que o São Pedro nos queira lixar a vida, hoje venho à janela e vejo, timidamente começando a ganhar forma, a minha terraza, aquelas das claras con limón e das bravas e do calor abrasador mesmo à uma da manhã de um domingo sendo que todos trabalhamos no dia seguinte.

É que ainda que nos roubem o calor, a expectativa ninguém nos tira. Chegará o dia.


* Aos naturais de Madrid chamam-se gatos, como aos de Lisboa alfacinhas.

4.3.10

Saudades de onde afinal?

Quanto maiores as minhas saudades de Portugal, maior também é em seguida a vontade de voltar. Eu não entendo, mas logo começam a acontecer coisas que me irritam e irritam e irritam, e não sei que faça, mas esta relação de amor-ódio com o meu país está a dar cabo de mim.

É que já não sei se volto a Lisboa, ou se volto a Madrid. Um dia parti de Lisboa, mas depois de tantas malas (re)feitas, onde é que fica a casa da partida?

26.2.10

Falta muito?

Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito?

Esta bodega de tempo já está a dar cabo da minha reputação, do meu bom nome e da confiança até agora imaculada que os meus amigos têm na minha palavra.

Já foram duas as que me vieram assim a modos cadê o livro de reclamações?, porque eu tinha dito que Madrid no Inverno era frio e seco, mas que pouco chovia e jamais fazia vento. Isto depois de termos ficado com os nossos guarda-chuvas todos escavacadinhos em plena Plaza de Santa Ana, e acreditem que pouco faltou para o vendaval nos levar directamente e à bruta para o terraço do The Penthouse.

Entretanto, na televisão dizem que entre hoje e amanhã chega à península a tempestade perfeita. Espero que não lhe dê para ser pontual, que convinha aterrar em Lisboa são e salva.

23.1.09

We'll always have Tonicê!

Contra este cansaço mental que me aterra, acho que nada melhor que voltar a tomar o Tonicê. O Tonicê é um medicamento 5 estrelas - e além do mais trás-me sempre boas recordações. Lembro-me de estar com a Ana Rita, há 3 anos (mas já passaram três anos???), na nossa casa de Móstoles, e à hora de jantar lá tomávamos as duas o nosso respectivo Tonicê, antes da mais que habitual massa com bacon, espectacularmente deliciosa e obviamente hiper-calórica. Designavamo-nos por "Brigada do Tonicê" e era o nosso dirty little secret, como se aquilo fosse alguma espécie de droga ilegal hiper-potenciadora das nossas vantagens competitivas, da qual ninguém podia saber sob pena de sermos desclassificadas.

A verdade é que, placebo ou não, o amigo Tonicê ajudou-nos a levar para diante aquele mestrado-pós-graduação-cena-a-dar-para-o-MBA-mas-de-empresas-energéticas, que foi esse ano no ISE. Com tanta noite (quase todas) a deitarmo-nos perto das três da manhã, para as sete já estarmos a pé, mais a inevitável adaptação ao espanhol, no fim do ano, a Rita foi das melhores alunas a nível de exames e eu das melhores a nível de trabalhos práticos.

Sempre assim, ela mais dedicada - ok, marrona - e responsável, eu mais pragmática - ok, preguiçosa - e leviana. Cada uma com o seu estilo muito próprio, começámos por ser as portuguesas com quem ninguém queria trabalhar (não sabiamos espanhol). Acabámos como duas das mais respeitadas e disputadas (e fluentes em castelhano). Verdade seja dita, não envergonhámos Portugal. Eu e a Rita partilhámos uma casa e as nossas vidas por necessidade, somos muito diferentes, etc., etc., mas tornámo-nos grandes amigas e somos amigas para sempre. Acho que no fim de contas, são coisas fundamentais as que nos unem - somos honestas, directas, não somos rancorosas nem invejosas.

Talvez o Tonicê tenha sido simplesmente o catalizador dessa áurea que faz com que a soma de uma Rita e uma Margarida na sua casa de Móstoles seja bem mais que um par de tugas emigradas. Porque mesmo com telefone, internet e o diabo a quatro, quando eu andava por casa a refilar que eram todos uns coninhas porque ninguém queria ir beber uma cerveja para desanuviar na véspera de um exame, e ela reclamava que eram todos uns peixeiros e que tinha tantas saudades do silêncio do nosso Portugal, só lá estávamos as duas, em carne e osso, para rir na cara uma da outra. Ou chorar, se fosse necessário.

A Rita é uma das minhas melhores amigas, e, como todas as minhas melhores amigas, é uma gaja com os tomates no sítio. Por isso, mesmo quando estamos longe, que de resto é quase sempre, lembro-me sempre que "we'll always have Tonicê". E eu sei que ela também.