19.1.08

Só nos faltava mais esta...

"Serviços secretos espanhóis alertam Portugal para perigo de atentados terroristas" Agora, além de sermos o irmão pobre da Europa, queixoso e pelintra, também já estamos na lista dos senhores terroristas. Não nos podiam ignorar, como faz o resto do mundo. Não podiam deixar-nos sossegadinhos na nossa amena calmaria à beira-mar, não... agora também já somos alvo de potenciais atentados. Que sorte. Realmente, só somos modernos naquilo que não interessa.

Os gatos da minha vida #4 - Chisca

A Chisca é gata internacional, espanhola e glamourosa, com dona de acolhimento temporário tuga (pois, eu), e com família de adopção à espera dela na Suiça. A Chisca é gata uma num milhão, porque, apesar de ter leucemia, tem uma família cinco estrelas à espera dela (e só dela) há mais de três meses, porque a pobrezinha só pode viajar quando estiver totalmente bem de saúde, o que, por sinal, estará para breve.

A Chisquinha veio viver comigo em Julho, e lá vou eu ficar outra vez de coração partido quando se for embora, emigrada para um país de gente civilizada que ama os animais. Mas não faz mal. Gata com um QE de meter inveja a muitos humanos, dá-se bem com quase toda a gente, e tenho a certeza que se adapta à sua nova vida em menos que nada.

A Chisca foi o primeiro gato fêmea que tive comigo, e quando chegou eu achava que gostava mais de gatos machos. Qual quê. Somos unha com carne. A melhor companheira de casa da mundo. A minha Chisca.

18.1.08

The L Word - Love and Lead

É um facto. Eu estou a devorar as quatro primeiras series do "The L World", e este mês começou a quinta! Eu sei que não é isento de interpretações paralelas assumir que se é fã de uma série de lésbicas, ou seja...não é como dizer "gosto muito do CSI". Mas posso declarar que: 1) não sou lésbica, mas 2) eu também não vivo no meio daquelas mulheres lindas, inteligentes e glamourosas. 3) As lésbicas que vejo na rua parecem todas homens feios. 4) Não sei se realmente existem mulheres assim em alguma parte do mundo, mas não há dúvida que é uma grande jogada do lobby homossexual. Posto isto, vou ver um (mais) um episódio!

14.1.08

An inconvenient truth

Ontem fiquei sem net e como não estava com muita vontade de ver o Cinderella Men dobrado em espanhol pus-me aqui a procurar na minha vasta colecção de filmes e dei por mim a rever o "An Inconvenient Truth". Já me esquecia quão bom é o documentário, quão bem desmascara o típico argumento dos "ciclos" de aquecimento global/eras glaciares, utililizado em geral pelas pessoas que eram demasiado burras para ir para ciências, que a matemática é uma complicação (para nosso azar muitas dessas pessoas trabalham na comunicação social, que se encarrega de escrever a verdade de acordo com as audiências, ou na política - votos...).

O Al Gore, depois de ter andado mais de metade da sua vida política a bater com a cabeça nas paredes do congresso dos Estados Unidos para que o ouvissem, percebeu que os políticos são ainda piores que os jornalistas e mudou de estratégia. Nada como ser um bom produto media. Ora hoje, muitas conferências, secas e inundações, tornados e tufões mais tarde, o aquecimento global já dá audiências. No EUA o must foi o Katrina, aqui como somos mais modestozinhos tivemos os campistas daquele amontoado de barracas está EM CIMA a chorar baba e renho na abertura do jornal da TVI. As coisas são sempre assim. É uma pescadinha de rabo na boca que teve um início que ninguém se lembra, mas um prémio Nobel vale o que vale e lá nisso não vou criticar a comunicação social, ela é realmente fundamental para quebrar barreiras e espalhar a palavra. Qualquer que ela seja.

O Al Gore é simplesmente genial, e se alguém me quiser oferecer alguma coisinha (ups, acho que esta conversa teria mais sentido há um mês atrás) pode conseguir-me uma entrada VIP para uma das suas conferências. Até lá, vejam e revejam o documentário. A sério, aqueles gráficos são todos verdadeiros, as conclusões são todas válidas e toda a gente na indústria do petróleo o sabe, há muitos anos. É por isso que trabalham todos que nem uns loucos a desenvolver tecnologias alternativas, pilhas de hidrogénio e o diabo a quatro. Claro que isso só estará no mercado quando der dinheiro. C'est la vie: uns querem votos e outros audiência mas - todos queremos dinheiro. Compreender, aceitar e saber jogar com este simples facto do nosso mundo, é tudo o que precisamos para o poder salvar. World, hold on!

5.1.08

2008

E assim chegam rapidamente ao fim umas férias dignas de emigra, com muito cozido, muito bacalhau e muita TVI (não me lixem, a verdade é que Portugal de verdade quem o mostra é esta estação - para mal dos nossos pecados)... Amanhã de manhã, lá vou eu de volta à capital do império, a minha Madrid grande e fria e colorida.

Sinto aquela preguiça habitual que aparece sempre que passo mais de 4 dias seguidos a falar português, parece que a língua se me entorpece ligeiramente. Nada que não se resolva nos primeiros cinco minutos mas pronto, a preguiça está cá na mesma. Ainda não foi desta que vi a colecção Berardo, também não vi o Call Girl mas como já referi vi muita TVI, o que me confirmou que continua tudo mais ou menos na mesma, os políticos todos invejosos da boa estrela do Sócrates, o Sócrates nem aí, os preços sobem (muito) mais do que os salários e só somos modernos em cenas estúpidas como a ridiculamente restritiva lei do tabaco.

Ainda assim, todos em Portugal se queixam demasiado (ninguém o explica melhor que a Rita Barata Silvério) e dentro de mim , entre pena e saudade, sinto um reconforto crescente ao voltar para os nuestros hermanos, repletos de mau feitio mas também de uma alegria contagiante. Ah, e o petróleo chegou aos 100 dólares. E já estamos em 2008.

30.12.07

Adeus 2007

Fico sempre um pouco nostálgica quando se aproxima o final de mais um ano das nossas vidas. Este ano correu como eu gosto: acaba melhor do que começou. Não foi um ano perfeito, mas foi um ano cheio de pequenas (?) vitórias. Foi um ano diverso: a primeira metade em Sines, a segunda metade em Madrid. Foi um ano cheio de gatos, e isso é sempre bom. Foi um ano ímpar, o que a mim normalmente não me agrada muito, mas neste caso nem me posso queixar. Sobretudo, foi um ano em que decidi com muita certeza sobre muitas coisas que eu decididamente não quero na minha vida. E como bónus, ainda percebi que há algumas sem as quais não posso (nem quero) viver.

12.12.07

When in Rome, do as the Romans do!

Traduzido por miúdos: Espanha + Natal = Lotería de Navidad!

E assim adquiri o primeiro (e último???) bilhete de lotaria da minha vida. Eu, que não sou nada dada a estas coisas, que me irrita profundamente o histerismo colectivo que se vive em Lisboa às sextas à tarde, aquela cujos pais têm de subornar para que jogue no Euromilhões em semana de Mega-Hiper-Super-Maxi-Jackpot, acabei de gastar 20 Euros inteirinhos para comprar um "décimo". Se não ganho pelo menos os vinte euros que investi, nem sei. Mas pronto, é a cultura aqui da terriola, e é verdade que isso não justifica tudo, mas é que realmente os espanhóis são muito obcecados com este tema em particular. O último mês lá no trabalho foi um suplício. Venceram-me pelo cansaço, após muitas sessões de terrorismo psicológico de segunda categoria (mas efectivo): "Ya imaginaste que lo ganamos y tu no? Serias la única... como te vas a sentir? Ya lo imaginaste? Lo vamos a comentar todo el rato... no lo podrás olvidar jamás..." Enfim, com tanta persuação não sei como é que Portugal conseguiu a independência de Espanha. Se provas faltavam, esta é a derradeira: quem se resiste a um espanhol só pode ser mais ruim que ele!!!

Anyway, desejem-me sorte!!!

PS - O número da imagem não é o meu bilhete, escusam de me vir melgar se ganha esse, que não pago jantas a ninguém! :)

6.12.07

Moma 56

Ou como ver a mais elevada percentagem de gajas fashion por m2, a dançar que nem loucas, felizes como se nao houvesse amanhã. O paraíso de qualquer homem. O pesadelo de qualquer mulher que não tenha uma autoconfiança à prova de bomba atómica. Eu, como prefiro milhões de vezes estar rodeada de gajas deslumbrantes que festa da mangueira, adoro. Ah, e a música é excelente.

PS - Lisbooooaaa, para quando um espaço assim? Será mesmo impossivel ensinar às portuguesas que a roupa da noite não deve ser a mesma com que se vai à padaria?

2.12.07

De luto

A ETA matou, outra vez.

30.11.07

A nova Madrid

E brevemente, numa avenida perto de si...

Eu tenho quatro amores, passo por eles todos os dias, e a cada dia que passa, mais imponentes, mais bonitos e mais perfeitos me parecem. São deslumbrantes. Eu amo Cidades. A minha Madrid está cada vez mais bonita, e eu cada vez mais apaixonada.

EFE/EMILIO NARANDO

29.11.07

Homens?

Estava aqui pelo Linked In a ver as minhas novas ligações quando, de repente, se fez luz. Neste ponto da minha vida, há 4 pessoas a quem eu jamais enviaria um convite ou aceitaria um. São os quatro homens, cínicos até mais não e sem tomates (do estilo "sou todo sorrizinhos porque me mijo de medo só de pensar em dizer-te o que realmente penso de ti na cara, sua cabra feminista"). Ah, e apesar de não serem especialmente trabalhadores, aparecem sempre que farejam possibilidades de protagonismo. Visto lo visto, aposto que são maus na cama. Quando uma pessoa não pode mesmo estar ligada a outra (nem no Linked In), a isso se chama alergia. E eu sou alérgica a filhos da puta.

26.11.07

O post seguinte

Depois do post anterior não sei muito bem o que escrever a seguir. Estou no You Tube a ver os vídeos de algumas recém descobertas artistas espanholas. Até nisto se nota: consigo apreciar o pop espanhol como nunca antes nada português. Não me sinto mais espanhola por isso, mas por muitas outras coisas dificeis de traduzir em palavras, estou cada vez mais convencida que Portugal me pariu por engano.

22.11.07

Os gatos da minha vida #3 - Cascarita

As pessoas que gostamos de gatos somos as mais egoístas de todas. Compreendemos que este mundo não se divide entre nós e eles, que este nosso mundo é infinitamente melhor com eles. Podemos depois disfarçar e aconchegar a nossa consciência dizendo-nos que os salvamos ou que somos excelentes donos, mas um pouco de honestidade faz-nos concluir o óbvio, que temos gatos porque não podemos viver sem eles.

Hoje de manhã, a Cascarita faleceu. A Cascarita tinha 8 meses e era leucémica, o que é meio caminho andado em direcção a uma morte prematura. Ainda assim, foi repentino e inesperado, num momento estava bem e no dia seguinte hipotérmica, eu a correr para as urgências com ela a miar desesperadamente. A Cascarita não era gata de grandes miados e portanto deu para perceber a gravidade da situação.

Acolher um gato leucémico é nobre. Ninguém os quer, são hiper-sensiveis, uma carga de trabalhos, um gasto importante e além de tudo isto, deixam-nos demasiado cedo e normalmente têm uma morte sofrida. Por tudo isto, acolher um gato leucémico é, além de nobre, masoquista.

A minha Cascarita era a pequerrucha mais terna e indefesa que conheci. Foi mais uma que me partiu o coração. Foi mais uma que alimentou esta minha necessidade quase obsessiva de os ter na minha vida. É mais um dos gatos da minha vida. Única, linda e para sempre, para sempre a minha pequena Cascarita.

Cascarita, numa tarde de domingo bem passada, em Agosto de 2007

18.11.07

Bom dia!

Em determinadas coisas, são todos iguais... Animação de Simon Tofield, da Tandem Films.)

17.11.07

Depois da gripe em Agosto, da anemia em Setembro, das anginas em Outubro e da gastroenterite em Novembro, decidi que se há algo na minha vida a necessitar de uma revolução, é essa tão importante área chamada "Saúde". Tenho que comer menos e melhor, dormir oito horas por noite e praticar exercício físico.

Hoje decidi voltar ao ginásio e começar bem o fim de semana. Aulas de Body Tonic e Ars Corpore (não perguntem...) e estou aqui renascida qual jovem de 15 anos acabadinhos de cumprir.

Além do mais, ir ao ginásio nesta terra é, além de tudo o resto, uma prova de fogo para a auto-estima de qualquer mulher. Sim, porque as únicas mais gordas que eu têm mais de 60 anos, e isto que não sou nenhuma baleia assassina, tenho uns quilinhos a mais, pois claro, mas nada que ofenda a vista.

Mas estas espanholas do demo são todas umas escanzeladas mete nojo e ainda por cima aldrabonas, nunca admitem que vivem permanentemente em dieta, quando EU SEI que a maioria almoça ervilhas cinco dias por semana.

Mas enfim, soube bem a ida ao ginásio. Do meu plano extreme makeover para a saúde tenho de ir 3x por semana, vamos lá ver em que ponto se encontra a minha força de vontade e a minha disciplina.

15.11.07

Que te calles, coño!

Por estes dias, a expressão recorrente lá no emprego é, como não?, a já famosa frase "Porque no te callas?", eternizada por esse grande fofinho Sua Majestade El Rey Juan Carlos de España. A coisa teria mais piada se o baixote popularucho de serviço não fosse tão louco, e se fosse certo que do histórico incidente não decorressem consequências de maior, mas ao que parece e como seria de esperar a coisa não vai ficar por aqui.

O que me pasma é a diferença abismal entre o povo e os seus líderes. Tenho vários colegas de trabalho venezuelanos, alguns até são descendentes de emigrantes portugueses de 2ª e 3ª geração. Entre eles e elas, nem um mas. São espectaculares, amáveis, divertidos. Note-se que alguns nem sequer podem voltar à Venezuela, já que seriam imediatamente presos, ao abrigo de uma decisão do tribunal que decidiu considerar-los culpados de "prejudicar" a nação, por terem decidido fazer uma greve numa refinaria. Isto vem do mesmo estado governado pelo tal baixote que enche a boca para falar de democracia. O desprezo destes meus colegas pelo que é, para todos os efeitos, o seu presidente, veste-se de alegria e ironia, e são eles os mais contentes por, finalmente, alguém ter decidido tratar aquele senhor como ele merece, ou seja, como uma criança que bate nos colegas sem razão e chora por tudo e por nada.

Chávez e a sua pandilha são incorrigíveis e a culpa é nossa, que sempre ficamos calados para manter a compostura. Uma vez assisti a uma conferência em que participou um big boss da PDVSA (a companhia petrolífera estatal da Venezuela), no que só pode ser descrito como uma clara tentativa de amaciar alguns egos muito inchados. Aquilo foi um fartote. De um lado, aquele grandessíssimo descarado que não dizia mais que "o petróleo da Venezuela é do povo da Venezuela" enquanto atirava ofensas a torto e a direito para todo e qualquer governo ocidental dito "liberal" (o que a eles lhes soa a "fascista"). Do outro, a professora coordenadora a pedir-me que me controlasse e ficasse calada, não fosse provocar algum potencial corte de relações entre a PDVSA e a Repsol. Quer dizer, o homem só dizia barbaridades e eu é que tive que ficar calada. O problema de Chávez &Co. é precisamente esse. Estão habituados a dizer o que lhes apetece e ninguém lhes faz frente. E o povo é que paga. Não que eu defenda a Chevron, a Exxon Mobil ou qualquer uma das irmãs, mas irrita-me que estes tipos, que são na sua grande maioria uns corruptos que vivem descaradamente bem enquanto o resto da população definha, estejam sempre com o argumento do bem estar do povo, enquanto desviam mais algum para o seu próprio bolso.

No final, comunas ou fascistas, são todos iguais. É por isso que eu gostei daquele "Porque no te callas!" do rei. Em português também teria ficado bem: "Tá mazé calado, pah!". Devíamos todos fazer um movimento global no qual, em vez de um minuto de silêncio, as pessoas repetiriam para todos os Chavéz deste nosso mundo, em uníssono, as mesmíssmas palavras, em todos os idiomas conhecidos. Aposto, o povo da Venezuela agradeceria.

13.11.07

Saudinha é o que nós precisamos

Não ter saúde é uma trampa. Eu este ano devo estar a pagar por todas as vezes que pensava "que seca" quando as minhas tias-primas velhotas iam lá no Natal com notas de 500 escudos e se punham a beijocar-me e a repetir até à exaustão "Saudinha, minha filha, que tenhas muita saudinha c'agente não precisa de mai nada". De certa forma, ter muita saúde é o mesmo que ter muito dinheiro. O que é ter muito dinheiro? É não ter de pensar nele. O que é ter muita saúde? É o mesmo. Por isso, nos Natáis dos anos 80 eu andava mais preocupada em contabilizar quantas Barbies (e complementos) tinha recebido. Resumindo e concluindo: o fim de semana em Lisboa teria sido perfeito, se, no domingo à tarde, eu não tivesse perdido o avião para ir para o hospital a vomitar as entranhas e sem sequer conseguir andar sozinha de tão baixa que estava a minha tensão arterial. Aparentemente, foi uma gastroentrite ligeira. Ligeira. Bom, pelo menos fiquei doente em Lisboa. Não há nada mais horrível que ficar doente e estar sozinho. Pelo menos em Lisboa tenho quem me mime e faça canjinha. De resto, o balanço do fim de semana foi bastante bom, com destaque para a noite de sexta-feira, com janta na Casa México, copos em Santos e finalmente ida ao Lux, já era tempo de voltar. A todos os meus queridos amigos que foram, e também à querida Joana que desta vez não se juntou à festa, um grande beijinho. As minhas idas a Lisboa são sempre melhores quando estou com vocês.

9.11.07

É Verão em Lisboa

Sinto-me profundamente invejosa.

31.10.07

...dos árabes

Hoje, pela primeira vez na minha vida, estive cinco horas seguidas com um árabe. Árabe de verdade, heim? Da Arábia Saudita. Deslocado em trabalho em Espanha a ganhar uma pipa de massa e a regalar a vista com as mulheres praticamente nuas que vê constantemente. A coisa foi engraçada. Vê-se que ele já sofreu uma evolução considerável desde que está aqui, no entanto, há coisas que são dificeis para um pobre mulçumano. Reparei que sempre que a Paz (minha chefe) lhe dizia “No, that doesn’t make any sense!” ou qualquer coisa deste estilo, o tipo mordia os lábios e cerrava o punho. Suponho que na cabeça dele estaria a afogar a Paz na piscina lá da sua mansão, para a tipa aprender a comportar-se perante um homem. Mas em seguida sorria de forma cínica e perguntava: “OK Paz, tell me, what do you want?” (Árabe espertalhão, já percebeu em poucos meses o que outros cá nascidos não entendem uma vida toda: as coisas são para fazer com nós, mulheres, queremos. E mai nada.) No meio de isto tudo, o senhor teve um gesto que me agradou particularmente. Tratou-me sempre por Margarida, o que costuma ser raro aqui em Espanha e mesmo em Portugal (veja-se por exemplo o caso do meu ex-chefe, essa obra prima da natureza que me tratava por “ó menina”). Além disso, deu-me um “passou-bem”. Ora, contaram-me que ele já umas vezes se recusou a dar a mão a mulheres porque não podia tocar em coisas impuras! Ou seja, das duas uma, ou eu sou muito pura, ou o homem já se resignou ao facto de ter mulheres a desenharem-lhe o seu amado complexo petroquímico. Atenção, que este texto não leve ninguém a pensar em coisas tontinhas. Não tenho qualquer interesse no tipo em questão. E mesmo que ele fosse o Brad Pitt árabe (que não é mesmo, é gordo e seboso como uma lontra), mesmo que fosse lindo e riquíssimo, eu quando lido com um árabe lembro-me sempre que se os gajos me apanhassem lá punham-me a esfregar o chão até ao fim da minha vida, e isto era o menos mau que me ia acontecer. A verdade é que o argumento politicamente correcto do “são culturas diferentes” não pega comiga. Eu não posso respeitar uma cultura que não respeita a minha cultura. Tolero-os, não os discrimino nem lhes lanço bombas, mas sozinha no meio deles não me apanham de certeza absoluta. Assim são os preconceitos.

29.10.07

Porque será...

... que a blogosfera portuguesa está repleta de posts de quatro linhas com clichés pseuso-filosóficos, que mais não são que medíocres tentativas de ser-se "original" e "profundo"? Será que é porque é muito mais dificil (bem) divagar sobre um tema que fazer uma interrogação de dez palavras sobre o mesmo? Naaaah... eu é que sou má. Tão má. Mesmo muito, muito má. Que chatice.

27.10.07

El universo sobre mi

Explicações...

Já alguma vez se perguntaram onde é que eu tinha ido buscar o mote do subtítulo: "Quero sentir o Universo sobre mim"? Não? Não faz mal, eu explico na mesma. É da primeira música da Amaral que eu ouvi na minha vida. Estava num bar com os meus colegas do master, há dois anos, e eles disseram-me para eu prestar atenção que aquela música era eu. A verdade é que sim, amei! E com todas as música da Eva Amaral consigo identificar um estado de alma ou uma recordação da minha vida. Senhoras e senhores, Amaral em: "El universo sobre mi...":
Solo queda una vela
Encendida en medio de la tarta
Y se quier consumir...
Ya se van los invitados
Tu y yo nos miramos
Sin saber bien que decir...
Nada que descubra lo que siento,
Que este dia fue perfecto y parezco feliz...
Nada como que hace nucho tiempo
Que me cuesta sonreir!
Quiero vivir, quiero gritar,
Quiero sentir el universo sobre mi!
Quiero correr en libertad,
Quiero encontrar mi sitio...
Una broma del destino,
Una melodia acelerada
En una cancion que nunca acaba...
Ya he tenido suficiente,
Necesito a alguien que comprenda
Que estoy sola en medio de un monton de gente
Que puedo hacer...?
Quiero vivir, quiero gritar,
Quiero sentir el universo sobre mi!
Quiero correr en libertad,
Quiero llorar de felicidad!
Quiero vivir,
Quiero sentir el universo sobre mi!
Como un naufrago en el mar,
Quiero encontrar mi sitio...
Solo encontrar mi sitio...
Todos los juguetes rotos,
Todos los amantes locos
Todos los zapatos de charol...
Todas las casitas de muecas
Donde celebraba fiestas,
Donde solo estaba yo...
Quiero vivir, quiero gritar, Quiero sentir el universo sobre mi! Quiero correr en libertad, Quiero llorar de felicidad! Quiero vivir, Quiero sentir el universo sobre mi! Como un naufrago en el mar, Quiero encontrar mi sitio... Solo encontrar mi sitio...
Solo queda una vela
Encendida en medio de la tarta,
Y se quiere consumir...

25.10.07

Por esta altura do ano, em 1998...

...estava eu a fazer o meu primeiro teste como aluna de engenharia química no Instituto Superior Técnico. Jamais tinha estudado tanto em toda a minha vida. E jamais tinha tido a necessidade de contar os valores de cada pergunta para ver se "dava para o dez". Esta capacidade do IST nos fazer cair dos nossos pedestais de "melhor aluno da turma" no secundário e nos fazer ver que não passamos de uns míseros estudantes que nos vemos "à rasca" para passar, é das melhores coisas que nos podem acontecer. Obriga-nos a ser eficientes, a aprender estudar como deve ser, a trabalhar a mil à hora em vinte coisas distintas ao mesmo tempo, e a não ter sequer tempo para queixas e lamúrias. É sentir na pele o "Eu só sei que nada sei." E ainda assim, passar por tudo isso, e no fim, olhar para trás e sentir um misto de orgulho e admiração pela Casa. É uma lição de humildade para a vida. É por isso que não precisamos de "doutor" nem de "engenheiro" antes do nosso nome. O nosso valor não se define com um título.

PS - E aos "alguns" que saiem do IST inchados de arrogância, definitivamente, não aprenderam a lição, e só por isso nem deviam ter direito ao diploma.

Ausência forçada...

...devido a essa grande porca da TELEFÓNICA, a pior empresa do mundo (e a maior companhia de telecomunicações da Europa). Não suporto estas ironias do destino.

19.10.07

Momentos históricos

Este Verão quando eu dizia que, com um bocadinho de sorte, chegávamos aos 100 dólares por barril antes do final do ano, a malta ria descaradamente na minha cara. Mas na madrugada passada o WTI tocou os 90,02 dólares em Nova Iorque. Já não parece tão disparato o comentário, não é? Não sei se estar feliz pela pelas minhas capacidades de análise de mercados ou triste por saber que a gasolina está aqui está a aumentar outra vez. Seja como for, seria inteligente da minha parte começar a pensar em fazer dinheiro com as minhas (frequentemente) acertadas previsões.

15.10.07

É oficial...


... comecei a usar cremes anti-rugas. A ironia é que ainda uso cremes anti-acne.


7.10.07

The Return to Innocence

"Don´t care what people say Just follow your own way Don't give up and use the chance To return to innocence." Adoro a música e o clip e o unicórnio. :)

Fim-de-semana

As minhas queridas mãe e irmã vieram passar o fim-de-semana a Madrid. Decidimos utilizar os dias todos para turismo, já que da última vez entre o Parque de Atracções e a Fuencarral não houve tempo para mais (nota-se a influência consumista da minha irmã). Ora desta vez não. Deste vez foi turimo à séria. Mas tenho de confessar que foi extremamente divertido porque como se tem dito “os portugueses estão a descobrir Espanha” e por isso tugas eram mais que as mães. Foi lindo. Havia alguma gente normal, mas a quantidade de famílias pipocas do mais foleiro e pindérico que existe sobejavan. Aproveitavam para dizer coisas ridículas em altos berros, como se estivessem na Rússia e fosse totalmente imposssível compreendê-los. Muitos eram mesmo bimbos. E balofos. A minha mãe, que me estava a tentar provar que em Madrid há tanta gente obesa como em Lisboa, estava constantemente a apontar “estás a ver, aquela é gorda” mas para aí 70% das vezes comprovamos que se tratava de uma tuga. Nunca pensei ouvir tanto a língua de Camões nesta cidade, mas a verdade é que dominámos por completo o fim de semana. Foi giro. Foi Verão este fim de semana. Mas preparem-se, irmãos alfacinhas, na próxima sexta-feira, dia 12 de Outubro, é feriado em Madrid... já estão a imaginar ou não? Pois é, cá se fazem, aí se pagarão!

3.10.07

Como continuar a falar e compreender inglês mesmo vivendo em Espanha

Como em tantas coisas da nossa vida (como dietas, por exemplo), a disciplina é a chave da sucesso. Assim, há que seguir estas regras à risca, porque senão, quando menos esperarem, serão gozados sem dó nem piedade por todos os vossos amigos não-espanhóis. 1. - Meia hora de CNN todos os dias (embora eles tenham a irritante mania de misturar entrevistas ao Tom Ford com crianças a morrerem em orfanatos na Roménia e coisas assim do estilo). 2. - Ser assinante de uma revista em inglês, dá igual se é o Economist ou a Esquire, o importante é ler em inglês. 3. - Se ainda sobrar tempo, ler livros em inglês (os do Dan Brown não contam). 4. - Activar a versão original do todos os filmes e séries da TDT. (E no cinema também). 5. - Trazer sempre uns phones à mão e quando eles começarem a falar espanglês, por os phones com música em altos berros. 6. - Na inevitabilidade de terem de utilizar uma expressão em inglês ao falarem com um espanhol, façam-se de parvos quando ele começar com merdas "que estás diciendo, coño?". NUNCA cedam à tentação de dizer a palavra como se leria se fosse em espanhol. A partir daí, não há retorno possível. São eles que têm de aprender. PS - Na dobragem em espanhol do filme "Terminator", em vez de "Hasta la vista!", o excelentíssimo governador da Califórnia diz "Sayonnara". Muito bom.

1.10.07

Go Go Hillary!

Aqui há uns anos, no meu primeiro artigo de opinião na revista Aetécnico (que ainda pode ser visto aqui), citei Nancy Mitford nessa sua verdade irrefutável: "Um rei que gosta do prazer é, sem dúvida, menos perigoso que um rei que deseja a glória." Há uns anos atrás nem Bush aparentava ser tão asqueroso e idiota, nem a mim me passava pela cabeça que um país pudesse ter a grande lata de fazer powepoints e chamar àquilo "provas" de como Saddam tinha armamento químico aos pontapés lá no Iraque. E portanto, também eu, num determinado momento, opinei que a paz às vezes não resolve tudo e que não se pode deixar um ditador louco com aquele arsenal nas mãos e não fazer nada em relação a isso. A verdade é que Bush é óbvia e clara e estupidamente louco, tem a maior máquina de guerra do mundo e ninguém faz nada, a começar pelo povo americano e a terminar na sede das Nações Unidas. Às vezes dou comigo a pensar que, se fosse iraniana ou iraquiana ou qualquer nacionalidade desse estilo, a única opinião que me permitiria ter do ocidente é que somos todos uns copinhos de leite amestrados. É assim este mundo, contraditório até mais não. Mas bom, isto para dizer que em 2002 já eu morria de saudades do Clinton, do seu ar bonacheirão e dos seus esforços pela paz, etc., etc., etc.. Antes disso já achava ridículo aquele espectáculo mediático em torno do seu affair Lewinsky, afinal, who cares? além dos obstinados americanos, até parece que lá nessa grandiosa nação os homens não encornam as mulheres a torto e a direito, como aliás no mundo inteiro. Já passou quase uma década e eu confesso que tenho vibrado com este mais que previsto regresso da família Clinton à Casa Branca. É bom demais para ser verdade mas a coisa está a compôr-se, e eu só desejo que sim, que chegue depressa esse dia. Um dia que espero que fique na história como esse grande marco da “primeira mulher” presidente dos Estados Unidos da América, mas sobretudo por um retorno à paz, paz, um bocadinho de paz, que assim nada feito, que já temos demasiados problemas neste nosso planeta para ainda inventarmos mais alguns. A minha esperança renova-se a cada semana, quando abro as páginas do meu Economist recém entregue e leio coisas deste estilo: “But Mrs. Clinton looks much more like a president-in-the-making than any of her opponents, Republican or Democratic.” Sim, sem dúvida. E o que o Economist diz, tem muita força...