29.3.08

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Pois é, o que é bom acaba depressa. Já estou de volta à cidade, ao trabalho, à dura vida de uma engenheira de processo. Como já vem sendo hábito, se passo mais de 2 dias em Portugal volto irritada, nostálgica, cansada de morte, e, esta semana, também com dores de garganta.

Não percebo, há dentro de mim duas saudades que me atormentam: a saudade do emigrante e a saudade do retornado. São saudades contrárias e poderosas, assim que, esteja onde estiver, tenho sempre saudades de alguma coisa. Raio de alma lusitana a minha. Isto é fado.

Quando voltei para Portugal, depois das minhas estadias na Bélgica (em 2005) e em Espanha (em 2006), não via a hora de me ir embora. Sentia-me constantemente defraudada com o meu país, achava que só fora podia ser feliz e crescer sob todos os pontos de vista fora de Portugal. E por isso voltei a sair. E sei que pelo menos por mais alguns anos serei uma emigra feliz e realizada. Mas quando passo uns dias na minha Lisboa linda e preciosa, custa-me tanto voltar... parece sempre que é pouco.

Às vezes penso que devia ir menos vezes para não me acontecer isto. Mas não posso, não posso... Seja como for, o sítio onde gosto mais de acordar continua a ser na minha caminha que está em casa dos meus pais. É a felicidade mais tranquila que tenho, aquela cama. Sei que ali poderei sempre voltar, aconteça o que acontecer. E afinal, não é a isso que se chama lar?

3 comentários:

Anónimo disse...

Fazes lembrar a canção do Variações... Tenho pressa de sair; Quero sentir ao chegar;Vontade de partir; P’ra outro lugar ...

Mas acredita, acredita mesmo que estás muito melhor aí do que cá. As saudades podem ser muitas mas é uma experência única. Espanha proporciona-te coisas que este país não consegue dar.. Infelizmente ...

Jo

Paulo disse...

Oi!

Eu já estive em Genebra e agora vivo em Dusseldorf.

Conheço bem o que descreves. Passei pelo mesmo processo. Acho que acontece a todos que viveram e vivem boas experiências no estrangeiro.

O que me consola é que vivendo na Europa, Portugal também não fica muito longe. :)

Margarida disse...

Jo,
eu seu eu sei... não me estou a queixar... ok, só um bocadinho! :) Para quando um novo blog? ***

Paulo,
bem vindo! Tens toda a razão. Eu costumo dizer que, enquanto estamos na Europa, estamos em casa! Já para ir viver para outros continentes, hay que tenerlos!
Volta sempre!