31.12.08

E prontoS!

Estivesse eu na Austrália.... e já era 2009!!! Feliz ano! :)

30.12.08

Mudar o Mundo

Esta história aconteceu numa tarde. Não foi numa tarde de frio, num qualquer Dezembro chuvoso. Estava calor, lembro-me. Eu teria talvez 15 anos. Eu tinha tempo, nessa altura. E por isso, se calhar, pensava menos. Nessa tarde abrasadora, lá iam, caminhando de mãos dadas, duas irmãs. Uma era uma teenager inconsciente, repleta de toda a moralizante juventude (nesses anos tudo gira à nossa volta - e nós não vemos). A outra era uma criança feliz, amada e bonita. As irmãs lá iam, descontraidamente, tendo conversas próprias de irmãs. Ali perto, num daqueles bancos de madeira tão vulgares em muitos parques e jardins de Lisboa, estava um velho. Quão velho não sei. Mas com bastantes rugas. 70 e muitos, provavelmente. E o velho tinha um saco de plástico na mão. Daqueles do Pingo Doce. Nesta história (estava-se mesmo a ver) o trajecto das duas irmãs vai obviamente passar pela beira do banco onde o velho se encontra. Quando chega o momento, o velho tira algo do seu saco de plástico e estica o braço, estendendo-o à criança. "Toma! É para ti, toma!" E a jovem, que afinal não passava de uma miuda tola e inexperiente, tem a reacção única e automática e óbvia e possível. Recusa amavelmente, puxa a irmã, apressa o passo, desvia o olhar (sem no entanto conseguir evitar o cruzar de olhos, aquele olhar, a tristeza do velho). Afinal vê-se com cada coisa. Nunca se sabe. Lisboa, anos 90. Nunca aceitar nada de estranhos, dizia a mãe, a avó, a vizinha, o piriquito. Tinha feito o certo. Tinha protegido a irmã de um estranho. Nunca se sabe. E assim sendo, as duas irmãs continuaram o seu trajecto. Do velho, não sei. Porque é que esta história não acaba aqui? Porque enquanto caminhava, ainda atordoada, sem olhar para trás, a jovem viu tudo. E teve vontade de vomitar. E tenho vontade de vomitar, só de me lembrar. Nesse rápido olhar, o que vi foi um saco com várias embalagens de marcadores Molin. O velho só queria oferecer uma caixinha de marcadores à criança que, com alegria, viu aproximar-se. E porquê, afinal? Porque esta história aconteceu no dia 1 de Junho. Dia da Criança. Eu ia com a minha irmã ao shopping comprar-lhe uma prenda. O velho era pobre, corcunda, maltrapilho, e tinha um saco cheio de marcadores Molin. Ofereceu-os. A uma criança. E a irmã não deixou. Será que alguém consegue sentir o que ainda sinto, passados tantos anos? Nunca me perdoei. Não ter parado para pensar, em vez de ter cedido à tentação do pânico fácil e desconfiança do próximo, tão típica dos meios urbanos. Afinal era um velho. Eram 3 da tarde. Era um parque cheio de gente. Não ter voltado para trás assim que me apercebi. É claro que nunca mais o vi, que nunca vou poder pedir-lhe desculpa. Assim, resta-me a lembrança. O olhar. Aquele olhar. Ele não pediu. Ele não ofendeu. Ele apenas quis dar. Talvez gostasse de crianças. Talvez gostasse do sorriso das crianças, que sorriem com tão pouco, e tão sinceramente. Talvez gostasse apenas de dar, do muito pouco que tinha. Mas agora, de que valem os talvez? Se esta história tivesse acontecido em Dezembro provavelmente tinha sido diferente. Seria Natal. Teria pensado duas vezes. Teria visto a idiotice que era a reacção que tive, antes de a ter. Nessa altura, eu já tinha lido o Principezinho. Mas ainda não tinha visto o essencial. É invisível aos olhos... E por isso aqui deixo esta história. Por muito cliché que seja, o Natal devia ser mesmo todos os dias. Termos as nossas mentes e os nossos corações um pouco mais abertos, em vez de restringirmos à época natalícia toda a mais variada gama de balelas (balelas porventura bem-intencionadas, mas ainda assim balelas, já que são rapidamente esquecidas). Seríamos mais felizes. E como somos muitos, o Mundo seria, sem dúvida, desmesuradamente melhor. Feliz Natal.
(Texto de minha autoria, publicado como artigo de opinião na revista Aetécnico, da AEIST, em Dezembro de 2002.)

20.12.08

19.12.08

Stooooooooorm!

Fui buscar o meu presente de Natal para mim própria. Custou uma ninharia, graças ao muito dinheiro que estorei em chamadas ao longo do ano. É lindo, não é? Agora só falta aprender a trabalhar com ele!

18.12.08

Os gatos da minha vida (#6 - Remake)

A Pequenutas, que em Agosto veio cá passar um fim-de-semana a casa, virou gata Mégui, emigrou para Lisboa e agora é da nossa família. Gata cheia de personalidade, rosna e tudo, e como qualquer gato que se preze gosta de sacos de plástico (se tiver prendinha lá dentro, e um aquecedor a poucos cm, ainda melhor).
O motivo porque esta pequenutas se chama Mégui (como Maggie mas escrito de maneira a que um espanhol possa ler como deve ser), será explicado mais adiante, se não for antes deduzido pelo inteligente leitor.

Que belo dia faz em Lisboa!

Ainda bem que estou em Madrid! Solinho, tanto solinho que faz aqui (e que grande mete nojo que eu sou...)
(Lisboazinha do meu coração, olha que eu estou quase a chegar, vê lá se transferes esse mau tempo para cá, mas só quando eu já estiver aí, pode ser? Quero umas férias cheias de solinho, pleeeeease!)

17.12.08

Ele há dias que não se esquecem!

No dia 3 de Junho de 2007, voltei para Madrid pela segunda vez. No dia 3 de Junho de 2007, devia ter começado uma vida nova. No dia 3 de Junho de 2007, tomei uma decisão muito importante, baseada em mentiras muito grandes. No dia 3 de Junho de 2007, não fui uma puta, mas devia ter sido. No dia 3 de Junho de 2007, eu já gostava o suficiente de vinho verde para não poder voltar atrás. No dia 3 de Junho de 2007, eu trouxe na bagagem uma novela mexicana da qual devia ter aproveitado para fugir a sete pés. Mas... No dia 3 de Junho de 2007, eu (ainda) não sabia que fazia parte do elenco. Ora bolas.

16.12.08

Coisas da vida

Felizmente e apesar destes já vários anos no estrangeiro, poucas foram as vezes que senti na pele atitudes de racismo. Aliás, não foram poucas, foi apenas uma. Aconteceu da segunda vez que me mudei para Madrid. Os rapazinhos que vieram cá mudar o ar condicionado fizeram um estardalhaço à porta de casa, estardalhaço esse que foi rapidamente eliminado, não sei antes eu ter o prazer de conhecer um dos meus vizinhos (somos três por andar). Tinha a porta de casa completamente aberta e comecei a ouvir alguém a reclamar violentamente, alguém esse que resultou ser um velho (muito) mal encarado. Perante a minha explicação de que os moços estavam a levar o ar condicionado antigo para baixo, e que não se preocupasse que ia ficar tudo limpinho, o tipo interrompe-me para começar a gritar que eu não tenho o direito de uso do hall, que o hall não é meu, que se não me sei comportar que agarre as minhas coisas e volte para o meu país. Foi uma situação horrível, nem sei como não lhe parti a cara, acho que foi só mesmo porque ele era mesmo velho. Ainda lhe mandei uns berros e lhe chamei racista, que pagava impostos e cumpria a lei, que não estava aqui ilegal e que se ele estava mal se mudasse. Mas enfim, quem discrimina, discrima, e não se importa muito com a pessoa que tem à frente. Uns meses mais tarde a esposa veio bater aqui à porta a pedir ajuda, que o marido não estava bem, e ainda o vi nu banhado em suor, chamei ambulância e salvei-lhe a vida, que o tipo estava em coma porque tinha tomado duas vezes a dose de insulina, ou qualquer coisa assim do estilo. Nem recebi nem um obrigado nem porra nenhuma. Ele nunca me olhou direito, nem a mim nem ao nosso outro vizinho (que também é português). Acho que lhe fazia mesmo comixão ter de viver no mesmo andar connosco, e sempre o deixou bem claro. Nunca mais lhe falei e muitas vezes fiz impressionantes malabarismos (dignos de competir com os melhores filmes cómicos) para não ter que me cruzar com ele. Hoje a subir no elevador, lá estava um papelinho, "informam-se os amigos e vizinhos que o dito cujo faleceu no dia 14 de Dezembro, bla bla bla. Assim é a vida - acaba. Agora que já não tem portugueses como vizinhos, será que é mais feliz?

11.12.08

Em Roma sê romano

E em Espanha, compra a lotaria de Natal!
Será que é desta?

A vida dela dava um filme

Um, não! Muitos, muitos filmes! Hoje é a estreia the mais um dos êxitos de bilheteira da vida dela: "TwentySix - The Remake!" Muitos parabéns, querida Restelo! Nota Sádica: vou oferecer-lhe a versão espanhola do "Parabéns a Você" quando ela vier por cá! Vai ser liiiiiiiiiindo! Não digam é nada para não estragar a surpresa! :D

10.12.08

A Restelo desafiou-me para mais um desses exercícios tipo auto-psicanálise que me fazem pensar na vida e no que realmente quero dela. Desta feita há que escolher oito sonhos, mas oito sonhos são pouco, muito pouco. Para mim os sonhos são as minhas melhores e mais desejadas ambições. Talvez alguns se mantenham sonhos, se bem que a minha maneira de estar do mundo diz-me que, do que depender de mim, estes sonhos são apenas o ponto de partida para muitos outros. Alguns vejo-os mais fáceis de realizar que outros, mas não escrevo nada aqui que considere impossivel. Anyway, sonhar é grátis. Então 'bora lá, sem ordem nenhuma específica. Estes são os meus. Viver muitos anos e com muita saúde.

Dinheiro: ter o suficiente para não ter de pensar nele.

Fazer umas férias sabáticas na Namíbia, no Noah’s Ark Project.

Sim, quero casar, quero ter um casamento lindo e um vestido de noiva maravilhoso.

Poder: às vezes é preciso poder para querer. Eu gostava de um dia ter o poder de fazer de Portugal um país menos desigual. (E se der tempo, o mundo...) Quero ter uma fundação onde mande eu e ajudar todas as pessoas que me apetecer (e cães e gatos e animais em geral, também).
Sermos cada vez mais felizes os dois (o gaijo e eu), a nossa família e os nossos amigos.
Seja com estes ou com outros sonhos, espero chegar ao fim feliz com a vida que vivi.

O desafio aqui fica, para todos os que lhe quiserem pegar e dar um bocadinho de si.

9.12.08

Cheia de sono

Talvez não tenha sido muito inteligente ficar a ver as Killer Spiders até às 3 da manhã.

8.12.08

Oscar a caminho?

A Pénelope soma e segue. Desta feita, foi a Associação Nacional de Críticos de Cinema dos EEUU que a considerou a melhor actriz secundária do ano pelo seu desempenho em "Vicky Cristina Barcelona". Ou seja, está-se mesmo a ver que vai ser nomeada para os Óscares. Será que é desta que ganha? Depois do Javier Bardem, era ouro sobre azul para o casal e para o ego espanhol, também. A verdade é que ela só melhora, filme após filme. E é linda e inteligente. E o filme imperdível, como qualquer do Woody Allen.

7.12.08

Música dos Hermanos

Melendi, Un violinista en tu tejado

Le pido a la luna Que alumbre tu vida Que la mía ya hace tiempo que ya está encendida. Que lo que me cuesta Querer sólo al rato Mejor no te quiero será más barato Cansado de ser el triste violinista que está en tu tejado. Tocando pa’ inglés siempre desafinado.

6.12.08

Eu já disse que ADORO bravas?

Janta

"Agente" vai tar a enfardar comida espanhola (BRAVAS! BRAVAS! :D) aqui no da foto. Apareçam!!!

Christian

Aviso já que, se alguma vez viver em África, quero ter um destes só para mim!

Visto no Seven Black Cats

5.12.08

Sou uma Scuppie!

Todos nós precisamos de descobrir a nossa tribo urbana, o nosso lugar social. O ensino secundário foi para mim uma tortura, porque dava-me bem com todos, mas nunca fui nem dos betos, nem dos freaks, muito menos dos góticos ou dos desportistas. Hoje, quase que chorei de emoção quando "me vi" no "El País" - sinto-me quase totalmente identificada - sou uma Scuppie!!! (Ou, pelo menos, uma Scuppie wanna be, o que é já um princípio, nesta luta das questões da vida.) Ora vejamos, a descrição é mais ou menos esta: tipo de consumidores fortemente vinculados ao meio-ambiente e à consciência social, a meio caminho entre o activismo hippie e o consumismo yuppie. Os scuppies gostam das coisas materiais e da segurança do êxito financeiro, mas desejam alcançar esse êxito sem esquecer o meio ambiente e a sociedade. Ou seja, não se vão amarrar a uma árvore para manifestar-se contra o aquecimento global, mas também não acham que o dinheiro esta acima de tudo e que todos os meios justificam os fins. Vejo muito de mim aqui, lá isso é certo. Quem estiver interessado tem mais em http://www.scuppies.com/. (Tivesse eu wishlist e o livrinho já estava lá batido...)

4.12.08

Enregelada

É um facto que costumo ser bastante gozada, Inverno após Inverno, por usar meias da neve. Penso que a questão não é (apenas) usar meias da neve. Talvez seja porque as uso para tudo e mais alguma coisa, com a devida excepção de quando estou a tomar banho (alguma vez já me senti tentada a entrar na banheira com elas, só para não passar frio nos meus fragéis e habitualmente gelados pezinhos).
Ora, como toda a gente sabe, as meias da neve NÃO SÃO propriamente um adorno sensual. Pois bem, hoje as meias da neve conhecem novas fronteiras nos meus pés: estou a usar dois - DOIS - pares. E sim, são muito mais feias que as da foto.

3.12.08

Isto é um gato

Quico Espanhol, hibernando entre o colchão e o lençol "de baixo".

2.12.08

Apontamentos de (quase) Inverno

Isto está lindo, está. Ontem já nevou em Madrid. Uma neve miudinha e pequenita, claro, que isto aqui é mediterrêneo. Os ossos partem-se-me e pareço uma velha da montanha cheia de pijamas e pantufas e robes e cobertores e uma conta astronómica do ar condicionado. O regresso de Pescara não foi bom. O meu voo atrasou-se quatro horas e mudaram a porta de embarque quatro vezes. Nunca vi aeroporto tão caótico como o de Roma, parecia que tinha havido um atentado terrorista. Ainda assim, já foi uma sorte o voo não ter sido cancelado, como aconteceu com quase todos os da Alitalia. Obrigada, Iberia. O fim-de-semana foi um misto de dormir muito, comer muitas bravas e falar pelos cotovelos, que esteve de visita uma das minhas amigalhaças para toda a vida (e das poucas que efectivamente se digna a visitar-me em Madrid). Todos os hermanos a quem tive oportunidade de comentar que ontem foi feriado em Portugal ficaram com um granda melão quando lhes explicava a razão do dito-cujo - até passei melhor o dia, sou mesmo mazinha. Acontece o mesmo todos os anos, que eles recalcam a informação passados cinco minutos. Está na hora de começar a pensar nas compras de Natal. Será que é este ano que eu compro uma coisinha que seja antes do dia 23 de Dezembro?