30.12.07

Adeus 2007

Fico sempre um pouco nostálgica quando se aproxima o final de mais um ano das nossas vidas. Este ano correu como eu gosto: acaba melhor do que começou. Não foi um ano perfeito, mas foi um ano cheio de pequenas (?) vitórias. Foi um ano diverso: a primeira metade em Sines, a segunda metade em Madrid. Foi um ano cheio de gatos, e isso é sempre bom. Foi um ano ímpar, o que a mim normalmente não me agrada muito, mas neste caso nem me posso queixar. Sobretudo, foi um ano em que decidi com muita certeza sobre muitas coisas que eu decididamente não quero na minha vida. E como bónus, ainda percebi que há algumas sem as quais não posso (nem quero) viver.

12.12.07

When in Rome, do as the Romans do!

Traduzido por miúdos: Espanha + Natal = Lotería de Navidad!

E assim adquiri o primeiro (e último???) bilhete de lotaria da minha vida. Eu, que não sou nada dada a estas coisas, que me irrita profundamente o histerismo colectivo que se vive em Lisboa às sextas à tarde, aquela cujos pais têm de subornar para que jogue no Euromilhões em semana de Mega-Hiper-Super-Maxi-Jackpot, acabei de gastar 20 Euros inteirinhos para comprar um "décimo". Se não ganho pelo menos os vinte euros que investi, nem sei. Mas pronto, é a cultura aqui da terriola, e é verdade que isso não justifica tudo, mas é que realmente os espanhóis são muito obcecados com este tema em particular. O último mês lá no trabalho foi um suplício. Venceram-me pelo cansaço, após muitas sessões de terrorismo psicológico de segunda categoria (mas efectivo): "Ya imaginaste que lo ganamos y tu no? Serias la única... como te vas a sentir? Ya lo imaginaste? Lo vamos a comentar todo el rato... no lo podrás olvidar jamás..." Enfim, com tanta persuação não sei como é que Portugal conseguiu a independência de Espanha. Se provas faltavam, esta é a derradeira: quem se resiste a um espanhol só pode ser mais ruim que ele!!!

Anyway, desejem-me sorte!!!

PS - O número da imagem não é o meu bilhete, escusam de me vir melgar se ganha esse, que não pago jantas a ninguém! :)

6.12.07

Moma 56

Ou como ver a mais elevada percentagem de gajas fashion por m2, a dançar que nem loucas, felizes como se nao houvesse amanhã. O paraíso de qualquer homem. O pesadelo de qualquer mulher que não tenha uma autoconfiança à prova de bomba atómica. Eu, como prefiro milhões de vezes estar rodeada de gajas deslumbrantes que festa da mangueira, adoro. Ah, e a música é excelente.

PS - Lisbooooaaa, para quando um espaço assim? Será mesmo impossivel ensinar às portuguesas que a roupa da noite não deve ser a mesma com que se vai à padaria?

2.12.07

De luto

A ETA matou, outra vez.

30.11.07

A nova Madrid

E brevemente, numa avenida perto de si...

Eu tenho quatro amores, passo por eles todos os dias, e a cada dia que passa, mais imponentes, mais bonitos e mais perfeitos me parecem. São deslumbrantes. Eu amo Cidades. A minha Madrid está cada vez mais bonita, e eu cada vez mais apaixonada.

EFE/EMILIO NARANDO

29.11.07

Homens?

Estava aqui pelo Linked In a ver as minhas novas ligações quando, de repente, se fez luz. Neste ponto da minha vida, há 4 pessoas a quem eu jamais enviaria um convite ou aceitaria um. São os quatro homens, cínicos até mais não e sem tomates (do estilo "sou todo sorrizinhos porque me mijo de medo só de pensar em dizer-te o que realmente penso de ti na cara, sua cabra feminista"). Ah, e apesar de não serem especialmente trabalhadores, aparecem sempre que farejam possibilidades de protagonismo. Visto lo visto, aposto que são maus na cama. Quando uma pessoa não pode mesmo estar ligada a outra (nem no Linked In), a isso se chama alergia. E eu sou alérgica a filhos da puta.

26.11.07

O post seguinte

Depois do post anterior não sei muito bem o que escrever a seguir. Estou no You Tube a ver os vídeos de algumas recém descobertas artistas espanholas. Até nisto se nota: consigo apreciar o pop espanhol como nunca antes nada português. Não me sinto mais espanhola por isso, mas por muitas outras coisas dificeis de traduzir em palavras, estou cada vez mais convencida que Portugal me pariu por engano.

22.11.07

Os gatos da minha vida #3 - Cascarita

As pessoas que gostamos de gatos somos as mais egoístas de todas. Compreendemos que este mundo não se divide entre nós e eles, que este nosso mundo é infinitamente melhor com eles. Podemos depois disfarçar e aconchegar a nossa consciência dizendo-nos que os salvamos ou que somos excelentes donos, mas um pouco de honestidade faz-nos concluir o óbvio, que temos gatos porque não podemos viver sem eles.

Hoje de manhã, a Cascarita faleceu. A Cascarita tinha 8 meses e era leucémica, o que é meio caminho andado em direcção a uma morte prematura. Ainda assim, foi repentino e inesperado, num momento estava bem e no dia seguinte hipotérmica, eu a correr para as urgências com ela a miar desesperadamente. A Cascarita não era gata de grandes miados e portanto deu para perceber a gravidade da situação.

Acolher um gato leucémico é nobre. Ninguém os quer, são hiper-sensiveis, uma carga de trabalhos, um gasto importante e além de tudo isto, deixam-nos demasiado cedo e normalmente têm uma morte sofrida. Por tudo isto, acolher um gato leucémico é, além de nobre, masoquista.

A minha Cascarita era a pequerrucha mais terna e indefesa que conheci. Foi mais uma que me partiu o coração. Foi mais uma que alimentou esta minha necessidade quase obsessiva de os ter na minha vida. É mais um dos gatos da minha vida. Única, linda e para sempre, para sempre a minha pequena Cascarita.

Cascarita, numa tarde de domingo bem passada, em Agosto de 2007

18.11.07

Bom dia!

Em determinadas coisas, são todos iguais... Animação de Simon Tofield, da Tandem Films.)

17.11.07

Depois da gripe em Agosto, da anemia em Setembro, das anginas em Outubro e da gastroenterite em Novembro, decidi que se há algo na minha vida a necessitar de uma revolução, é essa tão importante área chamada "Saúde". Tenho que comer menos e melhor, dormir oito horas por noite e praticar exercício físico.

Hoje decidi voltar ao ginásio e começar bem o fim de semana. Aulas de Body Tonic e Ars Corpore (não perguntem...) e estou aqui renascida qual jovem de 15 anos acabadinhos de cumprir.

Além do mais, ir ao ginásio nesta terra é, além de tudo o resto, uma prova de fogo para a auto-estima de qualquer mulher. Sim, porque as únicas mais gordas que eu têm mais de 60 anos, e isto que não sou nenhuma baleia assassina, tenho uns quilinhos a mais, pois claro, mas nada que ofenda a vista.

Mas estas espanholas do demo são todas umas escanzeladas mete nojo e ainda por cima aldrabonas, nunca admitem que vivem permanentemente em dieta, quando EU SEI que a maioria almoça ervilhas cinco dias por semana.

Mas enfim, soube bem a ida ao ginásio. Do meu plano extreme makeover para a saúde tenho de ir 3x por semana, vamos lá ver em que ponto se encontra a minha força de vontade e a minha disciplina.

15.11.07

Que te calles, coño!

Por estes dias, a expressão recorrente lá no emprego é, como não?, a já famosa frase "Porque no te callas?", eternizada por esse grande fofinho Sua Majestade El Rey Juan Carlos de España. A coisa teria mais piada se o baixote popularucho de serviço não fosse tão louco, e se fosse certo que do histórico incidente não decorressem consequências de maior, mas ao que parece e como seria de esperar a coisa não vai ficar por aqui.

O que me pasma é a diferença abismal entre o povo e os seus líderes. Tenho vários colegas de trabalho venezuelanos, alguns até são descendentes de emigrantes portugueses de 2ª e 3ª geração. Entre eles e elas, nem um mas. São espectaculares, amáveis, divertidos. Note-se que alguns nem sequer podem voltar à Venezuela, já que seriam imediatamente presos, ao abrigo de uma decisão do tribunal que decidiu considerar-los culpados de "prejudicar" a nação, por terem decidido fazer uma greve numa refinaria. Isto vem do mesmo estado governado pelo tal baixote que enche a boca para falar de democracia. O desprezo destes meus colegas pelo que é, para todos os efeitos, o seu presidente, veste-se de alegria e ironia, e são eles os mais contentes por, finalmente, alguém ter decidido tratar aquele senhor como ele merece, ou seja, como uma criança que bate nos colegas sem razão e chora por tudo e por nada.

Chávez e a sua pandilha são incorrigíveis e a culpa é nossa, que sempre ficamos calados para manter a compostura. Uma vez assisti a uma conferência em que participou um big boss da PDVSA (a companhia petrolífera estatal da Venezuela), no que só pode ser descrito como uma clara tentativa de amaciar alguns egos muito inchados. Aquilo foi um fartote. De um lado, aquele grandessíssimo descarado que não dizia mais que "o petróleo da Venezuela é do povo da Venezuela" enquanto atirava ofensas a torto e a direito para todo e qualquer governo ocidental dito "liberal" (o que a eles lhes soa a "fascista"). Do outro, a professora coordenadora a pedir-me que me controlasse e ficasse calada, não fosse provocar algum potencial corte de relações entre a PDVSA e a Repsol. Quer dizer, o homem só dizia barbaridades e eu é que tive que ficar calada. O problema de Chávez &Co. é precisamente esse. Estão habituados a dizer o que lhes apetece e ninguém lhes faz frente. E o povo é que paga. Não que eu defenda a Chevron, a Exxon Mobil ou qualquer uma das irmãs, mas irrita-me que estes tipos, que são na sua grande maioria uns corruptos que vivem descaradamente bem enquanto o resto da população definha, estejam sempre com o argumento do bem estar do povo, enquanto desviam mais algum para o seu próprio bolso.

No final, comunas ou fascistas, são todos iguais. É por isso que eu gostei daquele "Porque no te callas!" do rei. Em português também teria ficado bem: "Tá mazé calado, pah!". Devíamos todos fazer um movimento global no qual, em vez de um minuto de silêncio, as pessoas repetiriam para todos os Chavéz deste nosso mundo, em uníssono, as mesmíssmas palavras, em todos os idiomas conhecidos. Aposto, o povo da Venezuela agradeceria.

13.11.07

Saudinha é o que nós precisamos

Não ter saúde é uma trampa. Eu este ano devo estar a pagar por todas as vezes que pensava "que seca" quando as minhas tias-primas velhotas iam lá no Natal com notas de 500 escudos e se punham a beijocar-me e a repetir até à exaustão "Saudinha, minha filha, que tenhas muita saudinha c'agente não precisa de mai nada". De certa forma, ter muita saúde é o mesmo que ter muito dinheiro. O que é ter muito dinheiro? É não ter de pensar nele. O que é ter muita saúde? É o mesmo. Por isso, nos Natáis dos anos 80 eu andava mais preocupada em contabilizar quantas Barbies (e complementos) tinha recebido. Resumindo e concluindo: o fim de semana em Lisboa teria sido perfeito, se, no domingo à tarde, eu não tivesse perdido o avião para ir para o hospital a vomitar as entranhas e sem sequer conseguir andar sozinha de tão baixa que estava a minha tensão arterial. Aparentemente, foi uma gastroentrite ligeira. Ligeira. Bom, pelo menos fiquei doente em Lisboa. Não há nada mais horrível que ficar doente e estar sozinho. Pelo menos em Lisboa tenho quem me mime e faça canjinha. De resto, o balanço do fim de semana foi bastante bom, com destaque para a noite de sexta-feira, com janta na Casa México, copos em Santos e finalmente ida ao Lux, já era tempo de voltar. A todos os meus queridos amigos que foram, e também à querida Joana que desta vez não se juntou à festa, um grande beijinho. As minhas idas a Lisboa são sempre melhores quando estou com vocês.

9.11.07

É Verão em Lisboa

Sinto-me profundamente invejosa.

31.10.07

...dos árabes

Hoje, pela primeira vez na minha vida, estive cinco horas seguidas com um árabe. Árabe de verdade, heim? Da Arábia Saudita. Deslocado em trabalho em Espanha a ganhar uma pipa de massa e a regalar a vista com as mulheres praticamente nuas que vê constantemente. A coisa foi engraçada. Vê-se que ele já sofreu uma evolução considerável desde que está aqui, no entanto, há coisas que são dificeis para um pobre mulçumano. Reparei que sempre que a Paz (minha chefe) lhe dizia “No, that doesn’t make any sense!” ou qualquer coisa deste estilo, o tipo mordia os lábios e cerrava o punho. Suponho que na cabeça dele estaria a afogar a Paz na piscina lá da sua mansão, para a tipa aprender a comportar-se perante um homem. Mas em seguida sorria de forma cínica e perguntava: “OK Paz, tell me, what do you want?” (Árabe espertalhão, já percebeu em poucos meses o que outros cá nascidos não entendem uma vida toda: as coisas são para fazer com nós, mulheres, queremos. E mai nada.) No meio de isto tudo, o senhor teve um gesto que me agradou particularmente. Tratou-me sempre por Margarida, o que costuma ser raro aqui em Espanha e mesmo em Portugal (veja-se por exemplo o caso do meu ex-chefe, essa obra prima da natureza que me tratava por “ó menina”). Além disso, deu-me um “passou-bem”. Ora, contaram-me que ele já umas vezes se recusou a dar a mão a mulheres porque não podia tocar em coisas impuras! Ou seja, das duas uma, ou eu sou muito pura, ou o homem já se resignou ao facto de ter mulheres a desenharem-lhe o seu amado complexo petroquímico. Atenção, que este texto não leve ninguém a pensar em coisas tontinhas. Não tenho qualquer interesse no tipo em questão. E mesmo que ele fosse o Brad Pitt árabe (que não é mesmo, é gordo e seboso como uma lontra), mesmo que fosse lindo e riquíssimo, eu quando lido com um árabe lembro-me sempre que se os gajos me apanhassem lá punham-me a esfregar o chão até ao fim da minha vida, e isto era o menos mau que me ia acontecer. A verdade é que o argumento politicamente correcto do “são culturas diferentes” não pega comiga. Eu não posso respeitar uma cultura que não respeita a minha cultura. Tolero-os, não os discrimino nem lhes lanço bombas, mas sozinha no meio deles não me apanham de certeza absoluta. Assim são os preconceitos.

29.10.07

Porque será...

... que a blogosfera portuguesa está repleta de posts de quatro linhas com clichés pseuso-filosóficos, que mais não são que medíocres tentativas de ser-se "original" e "profundo"? Será que é porque é muito mais dificil (bem) divagar sobre um tema que fazer uma interrogação de dez palavras sobre o mesmo? Naaaah... eu é que sou má. Tão má. Mesmo muito, muito má. Que chatice.

27.10.07

El universo sobre mi

Explicações...

Já alguma vez se perguntaram onde é que eu tinha ido buscar o mote do subtítulo: "Quero sentir o Universo sobre mim"? Não? Não faz mal, eu explico na mesma. É da primeira música da Amaral que eu ouvi na minha vida. Estava num bar com os meus colegas do master, há dois anos, e eles disseram-me para eu prestar atenção que aquela música era eu. A verdade é que sim, amei! E com todas as música da Eva Amaral consigo identificar um estado de alma ou uma recordação da minha vida. Senhoras e senhores, Amaral em: "El universo sobre mi...":
Solo queda una vela
Encendida en medio de la tarta
Y se quier consumir...
Ya se van los invitados
Tu y yo nos miramos
Sin saber bien que decir...
Nada que descubra lo que siento,
Que este dia fue perfecto y parezco feliz...
Nada como que hace nucho tiempo
Que me cuesta sonreir!
Quiero vivir, quiero gritar,
Quiero sentir el universo sobre mi!
Quiero correr en libertad,
Quiero encontrar mi sitio...
Una broma del destino,
Una melodia acelerada
En una cancion que nunca acaba...
Ya he tenido suficiente,
Necesito a alguien que comprenda
Que estoy sola en medio de un monton de gente
Que puedo hacer...?
Quiero vivir, quiero gritar,
Quiero sentir el universo sobre mi!
Quiero correr en libertad,
Quiero llorar de felicidad!
Quiero vivir,
Quiero sentir el universo sobre mi!
Como un naufrago en el mar,
Quiero encontrar mi sitio...
Solo encontrar mi sitio...
Todos los juguetes rotos,
Todos los amantes locos
Todos los zapatos de charol...
Todas las casitas de muecas
Donde celebraba fiestas,
Donde solo estaba yo...
Quiero vivir, quiero gritar, Quiero sentir el universo sobre mi! Quiero correr en libertad, Quiero llorar de felicidad! Quiero vivir, Quiero sentir el universo sobre mi! Como un naufrago en el mar, Quiero encontrar mi sitio... Solo encontrar mi sitio...
Solo queda una vela
Encendida en medio de la tarta,
Y se quiere consumir...

25.10.07

Por esta altura do ano, em 1998...

...estava eu a fazer o meu primeiro teste como aluna de engenharia química no Instituto Superior Técnico. Jamais tinha estudado tanto em toda a minha vida. E jamais tinha tido a necessidade de contar os valores de cada pergunta para ver se "dava para o dez". Esta capacidade do IST nos fazer cair dos nossos pedestais de "melhor aluno da turma" no secundário e nos fazer ver que não passamos de uns míseros estudantes que nos vemos "à rasca" para passar, é das melhores coisas que nos podem acontecer. Obriga-nos a ser eficientes, a aprender estudar como deve ser, a trabalhar a mil à hora em vinte coisas distintas ao mesmo tempo, e a não ter sequer tempo para queixas e lamúrias. É sentir na pele o "Eu só sei que nada sei." E ainda assim, passar por tudo isso, e no fim, olhar para trás e sentir um misto de orgulho e admiração pela Casa. É uma lição de humildade para a vida. É por isso que não precisamos de "doutor" nem de "engenheiro" antes do nosso nome. O nosso valor não se define com um título.

PS - E aos "alguns" que saiem do IST inchados de arrogância, definitivamente, não aprenderam a lição, e só por isso nem deviam ter direito ao diploma.

Ausência forçada...

...devido a essa grande porca da TELEFÓNICA, a pior empresa do mundo (e a maior companhia de telecomunicações da Europa). Não suporto estas ironias do destino.

19.10.07

Momentos históricos

Este Verão quando eu dizia que, com um bocadinho de sorte, chegávamos aos 100 dólares por barril antes do final do ano, a malta ria descaradamente na minha cara. Mas na madrugada passada o WTI tocou os 90,02 dólares em Nova Iorque. Já não parece tão disparato o comentário, não é? Não sei se estar feliz pela pelas minhas capacidades de análise de mercados ou triste por saber que a gasolina está aqui está a aumentar outra vez. Seja como for, seria inteligente da minha parte começar a pensar em fazer dinheiro com as minhas (frequentemente) acertadas previsões.

15.10.07

É oficial...


... comecei a usar cremes anti-rugas. A ironia é que ainda uso cremes anti-acne.


7.10.07

The Return to Innocence

"Don´t care what people say Just follow your own way Don't give up and use the chance To return to innocence." Adoro a música e o clip e o unicórnio. :)

Fim-de-semana

As minhas queridas mãe e irmã vieram passar o fim-de-semana a Madrid. Decidimos utilizar os dias todos para turismo, já que da última vez entre o Parque de Atracções e a Fuencarral não houve tempo para mais (nota-se a influência consumista da minha irmã). Ora desta vez não. Deste vez foi turimo à séria. Mas tenho de confessar que foi extremamente divertido porque como se tem dito “os portugueses estão a descobrir Espanha” e por isso tugas eram mais que as mães. Foi lindo. Havia alguma gente normal, mas a quantidade de famílias pipocas do mais foleiro e pindérico que existe sobejavan. Aproveitavam para dizer coisas ridículas em altos berros, como se estivessem na Rússia e fosse totalmente imposssível compreendê-los. Muitos eram mesmo bimbos. E balofos. A minha mãe, que me estava a tentar provar que em Madrid há tanta gente obesa como em Lisboa, estava constantemente a apontar “estás a ver, aquela é gorda” mas para aí 70% das vezes comprovamos que se tratava de uma tuga. Nunca pensei ouvir tanto a língua de Camões nesta cidade, mas a verdade é que dominámos por completo o fim de semana. Foi giro. Foi Verão este fim de semana. Mas preparem-se, irmãos alfacinhas, na próxima sexta-feira, dia 12 de Outubro, é feriado em Madrid... já estão a imaginar ou não? Pois é, cá se fazem, aí se pagarão!

3.10.07

Como continuar a falar e compreender inglês mesmo vivendo em Espanha

Como em tantas coisas da nossa vida (como dietas, por exemplo), a disciplina é a chave da sucesso. Assim, há que seguir estas regras à risca, porque senão, quando menos esperarem, serão gozados sem dó nem piedade por todos os vossos amigos não-espanhóis. 1. - Meia hora de CNN todos os dias (embora eles tenham a irritante mania de misturar entrevistas ao Tom Ford com crianças a morrerem em orfanatos na Roménia e coisas assim do estilo). 2. - Ser assinante de uma revista em inglês, dá igual se é o Economist ou a Esquire, o importante é ler em inglês. 3. - Se ainda sobrar tempo, ler livros em inglês (os do Dan Brown não contam). 4. - Activar a versão original do todos os filmes e séries da TDT. (E no cinema também). 5. - Trazer sempre uns phones à mão e quando eles começarem a falar espanglês, por os phones com música em altos berros. 6. - Na inevitabilidade de terem de utilizar uma expressão em inglês ao falarem com um espanhol, façam-se de parvos quando ele começar com merdas "que estás diciendo, coño?". NUNCA cedam à tentação de dizer a palavra como se leria se fosse em espanhol. A partir daí, não há retorno possível. São eles que têm de aprender. PS - Na dobragem em espanhol do filme "Terminator", em vez de "Hasta la vista!", o excelentíssimo governador da Califórnia diz "Sayonnara". Muito bom.

1.10.07

Go Go Hillary!

Aqui há uns anos, no meu primeiro artigo de opinião na revista Aetécnico (que ainda pode ser visto aqui), citei Nancy Mitford nessa sua verdade irrefutável: "Um rei que gosta do prazer é, sem dúvida, menos perigoso que um rei que deseja a glória." Há uns anos atrás nem Bush aparentava ser tão asqueroso e idiota, nem a mim me passava pela cabeça que um país pudesse ter a grande lata de fazer powepoints e chamar àquilo "provas" de como Saddam tinha armamento químico aos pontapés lá no Iraque. E portanto, também eu, num determinado momento, opinei que a paz às vezes não resolve tudo e que não se pode deixar um ditador louco com aquele arsenal nas mãos e não fazer nada em relação a isso. A verdade é que Bush é óbvia e clara e estupidamente louco, tem a maior máquina de guerra do mundo e ninguém faz nada, a começar pelo povo americano e a terminar na sede das Nações Unidas. Às vezes dou comigo a pensar que, se fosse iraniana ou iraquiana ou qualquer nacionalidade desse estilo, a única opinião que me permitiria ter do ocidente é que somos todos uns copinhos de leite amestrados. É assim este mundo, contraditório até mais não. Mas bom, isto para dizer que em 2002 já eu morria de saudades do Clinton, do seu ar bonacheirão e dos seus esforços pela paz, etc., etc., etc.. Antes disso já achava ridículo aquele espectáculo mediático em torno do seu affair Lewinsky, afinal, who cares? além dos obstinados americanos, até parece que lá nessa grandiosa nação os homens não encornam as mulheres a torto e a direito, como aliás no mundo inteiro. Já passou quase uma década e eu confesso que tenho vibrado com este mais que previsto regresso da família Clinton à Casa Branca. É bom demais para ser verdade mas a coisa está a compôr-se, e eu só desejo que sim, que chegue depressa esse dia. Um dia que espero que fique na história como esse grande marco da “primeira mulher” presidente dos Estados Unidos da América, mas sobretudo por um retorno à paz, paz, um bocadinho de paz, que assim nada feito, que já temos demasiados problemas neste nosso planeta para ainda inventarmos mais alguns. A minha esperança renova-se a cada semana, quando abro as páginas do meu Economist recém entregue e leio coisas deste estilo: “But Mrs. Clinton looks much more like a president-in-the-making than any of her opponents, Republican or Democratic.” Sim, sem dúvida. E o que o Economist diz, tem muita força...

30.9.07

El orfanato

Este, não vou perder por nada.

29.9.07

Os gatos da minha vida #2 - Tomix

Não há amor como o primeiro, dizem. Um dos gatos mais importantes da minha vida, foi, por isso, o primeiro gato que conheci. As minhas lembranças dele resumem-se a esta foto e às palavras da minha mãe.

O Tómix foi levado a minha casa por uns miúdos lá da rua onde vivíamos nessa altura. Tinham-no encontrado à beira da estrada e foram bater à minha porta com ele em braços, remeloso e cheio de pulgas. Eram tantas que boiavam na água quando a minha mãe o lavou. O Tómix era amarelo, lindo e carinhoso, eu tinha dois anos e massacrava-o, o fofinho nem um arranhão me deixou.

O Tómix esteve pouco mais de um ano connosco. Não me lembro dele, mas tenho saudades ainda assim.

27.9.07

Há 10 anos...

Para comemorar o facto de já ser velha o suficiente para me lembrar (muito) bem das coisas que vivi vai para lá de uma eternidade, inauguro esta nova rubrica à qual decidi chamar, pomposamente, "Há dez anos..." (original, portanto). Vou começar... Há 10 anos... ... ia ao Rookie às sextas à noite, e bebia, entre outras coisas, shots de Golden Strike. Hum, pensando bem, não sei se me quero recordar deste tipo de coisas. Talvez seja melhor tentar com imagens (e se forem de gajas boas e bonitas entro para o top dos blogs num instantinho).

Abortice máxima

Merda! Escrevi um post lindo, maravilhoso, daqueles que me fazem sentir mesmo realizada, foi óptimo, as palavras fluiam, tudo saía bem à primeira. Apaguei-o não sei como. Agora não me apetece escrever tudo outra vez. Que irritação. COMO É QUE ESTAS COISAS AINDA ME ACONTECEM AO FIM DE TANTOS ANOS DE COMPUTADOR?

25.9.07

T-A-P: Take Another Plain

Eu andava a encher, a encher, a encher... e pronto, desta é de vez! Essa maravilhosa companhia portuguesa de seu nome TAP, que desde o fim das colónias portuguesas não tem servido senão para enterrar dinheiro do estado (ou seja, dinheiro de todos nós), acabou de perder (mais) um passageiro frequente. De tão ridículo até parece de propósito, mas de facto, não apenas as iniciais mas também todo o comportamento da companhia convida qualquer pessoa que não se considere estúpida de todo, a voar noutra companhia. Porque, sinceramente, mau serviço não falta por aí, mas pelo menos sai mais barato. Agora, não estou para andar a alimentar gulosos. Toda a vida a minha família fez muitos sacrificios para que eu pudesse estudar e eu tento retribuir, tanto que devo pertencer ao grupo dos 0,0001% dos portugueses que não está onde está devido a cunha. E disso muito me orgulho, portanto, se é para ser generosa prefiro dar o dinheiro à União Zoolófila. I'm done with "vou gastar mais mas estou a ajudar uma companhia portuguesa". Que se lixem. Não merecem. Raramente tratam o seu ganha pão com respeito. Eu tentei. Mesmo. Mas estou farta. Já me estava a habituar à inevitabilidade física dos voos da TAP sairem sempre com pelo menos uma hora e meia de atraso, mas desta vez passaram das marcas. No domingo o voo não estava atrasado, mas claro, qual lei da física newtoniana, o que sobe também desce e lá se foi a minha alegria por terra num instantinho. Depois de nos terem metido todos num autocarro nojento sem ar condicionado e nos terem deixado lá a destilar um quarto de hora, quais judeus a caminho dos campos, toca a sair tudo outra vez para a porta de embarque, que afinal havia um "problema". Claro está que explicações, tá quieto. Não havia. Podiam ser muitas coisas, e nem sequer podiam dar uma estimativa de quanto tempo ia durar o "problema", ou seja, nem sequer podia dar uma volta ou comer qualquer coisa no aeroporto descansadamente. O regresso ao autocarro foi tão caótico que dois estrangeiros comentavam ao meu lado que "era porque se fazia tudo à mão, ainda não havia computadores", o que me obrigou a intervir e explicar-lhes o que se passava . Não admito que todos os portugueses sejam tomados por atrasados mentais graças à incompetência dessa-companhia-que-só-de-pensar-o-nome-me-dá-azia. Também fiquei a saber que os voos que realizo com frequência agora são realizados nos aviões minorcas da Portugália, o que significa que nunca mais me livro da porcaria do autocarro estilo World War II, já que as avionetes utilizadas são pequenas de mais para as mangas dos aeroportos. À entrada do avião estavam a pedir o cartão de embarque à entrada, o que aumentou ainda mais a espera. Mas 0 melhor de tudo foi, depois de uma parvalhona de uma hospedeira (assim designada para acentuar o glamour de servir cafés a 10 mil pés) me ter dito que sim, que o voo incluia refeição, me ter sido um minúsculo gelado (a "refeição"). O comandante estava ao nível e pediu desculpas pelo atraso devido a "motivos operacionais", o que me deixou com uma vontade enorme de o esbofetear e explicar-lhe que isso não é justificação que se apresente, ou ele pensa que está a falar com ignorantes? Motivos operacionais podem ser qualquer coisa, incluindo o "estive a levar no cu do meu co-piloto". Eu tenho direito a uma E-X-P-L-I-C-A-Ç-Ã-O. Em inglês ainda foi melhor, limitou-se a um "sorry for the late". Muito bom. Depois disso já só desejava aterrar viva... Ah, milagrosamente, não me perderam as malas. Mas não se livram da reclamação, para eles e para a DECO. E pronto, assim se perdem clientes.

19.9.07

Will you join us?

É simplesmente a melhor iniciativa "energy related" de sempre. Nada como experimentar para perceber os enormes desafios que nos aguardam ao longo das próximas décadas. E dá direito a um "regalito" muito simpático. Em http://www.willyoujoinus.com/, está claro.

13.9.07

No seguimento do post anterior...

prometo não voltar a falar de idas a Fátima em vão. E abstenho-me de comentar o desfecho do jogo de ontem. Tenho dito.

12.9.07

Eu juro...

... que se hoje ganharmos, eu vou mesmo, mas mesmo mesmo mesmo a Fátima, e até pago as minhas promessas todas em atraso com velinhas a dobrar. Estou a stressar, isto de acompanhar o jogo pela net não tem piadinha nenhuma, e, ainda por cima, não sei de nenhum café de tugas em Madrid onde possa ver o jogo num ambiente lusitano. Emigras deste mundo, ajudem-me!

11.9.07

Onde é que você estava no 11 de Setembro?

Eu era suposta passar a tarde a estudar para esse belíssimo exame de época especial de Materiais e Corrosão, no qual tive 11: 9 na parte de Materiais (a melhor nota) e 2 na parte de Corrosão (a melhor nota foi um 4).

Lembro-me que eram quase duas da tarde, estava a levantar a mesa do almoço, tinha a TV na SIC e nem sequer ia terminar de ver o Jornal da Tarde, que a 11 de Setembro ainda restam muitos vestígios da silly season e já não há paciência para ela. Quando ia da sala para a cozinha com a toalha de mesa e dois copos na mão, vejo pelo canto do olho um arranha-céus em chamas. Pouso as coisas, levanto o som, chamo a minha irmã para ver, que me ignora, claro, que o messenger é muito mais fixe.

“Que incêndio tão grande!”, foi o meu primeiro pensamento, e logo começam os jornalistas a dizer que um avião da polícia (!) tinha chocado “acidentalmente” contra uma das torres do World Trade Center. Nisto, vê-se outro avião a aparecer na imagem e depois a colisão, repetida à exaustão.

Aquele dia foi surrealista. O nosso grupo dos quatro fantásticos juntou-se como previsto, mas não foi para estudar, está claro. Em menos de nada, já se falava em Al-Qaeda e Bin Laden, dois nomes que até então me eram totalmente desconhecidos. Eu nem podia acreditar no que estava a ver, e mais, que de facto o estava a ver, em directo. E vi tudo. A colisão, o fogo, o fumo, as pessoas à janela, as pessoas a caírem, as pessoas a chorarem na rua, a primeira torre a cair, a segunda torre a cair, o pó do impacto, os destroços. Tudo, em directo. No fim, éramos unânimes: ali começava a terceira guerra mundial. A economia ia estalar. A bolsa ia crashar. O mundo como o conhecíamos ia terminar. Agora pode parecer exagerado, mas naquele dia, em que se falava em vinte mil mortos, em que vimos todo aquele horror, não nos passou pela cabeça que tamanha afronta aos EUA ficasse por menos.

Felizmente não foi o fim do mundo, mas alguma coisa muito profunda abalou a nossa tão orgulhosa e dominante sociedade ocidental. Passámos a saber, conscientemente, que não estamos seguros. Fizeram questão de nos lembrar disso, outra vez, em Madrid, e depois em Londres, e agora tornou-se “normal” que volta e meia Heathrow cancele cinquenta mil voos por suspeitas de possíveis atentados. A mim, pelo menos, esta sensação de não estar segura dá cabo de mim. Mas sou das que defendo exacerbadamente que, as nossas vidas, temos de as viver como se nada fosse. E desejar nunca ter de presenciar nada parecido ao que se aconteceu naquele dia em NY.

O mundo mudou muito e as nossas vidas também. A vida separou os quatro magníficos. O Manel trabalha na Africa do Sul, eu em Madrid, o Victor termina o seu doutoramento em Lyon e o Rodrigo creio que faz investigação no IST e teve um pequerrucho com uma polaca. Mas naquela tarde, vivemos juntos um acontecimento histórico e tivemos plena consciência disso. Tenho a certeza que o Manuel, o Victor e o Rodrigo, quando virem as notícias hoje, se lembrarão dessa tarde tão bem como eu, de como partilhamos o nosso espanto, os nossos medos e as nossas conjecturas. E quando nos perguntarem, aos quatro, onde estávamos no 11 de Setembro de 2001, a resposta será só uma.

“Eu estava em Lisboa, nos Olivais Sul, a “estudar” Materiais e Corrosão.”

9.9.07

Wear Sunscreen

Don't feel guilty...

...if you don't know what you want to do with your life. The most interesting people I know didn't know at 22 what they wanted to do with their lives, some of the most interesting 40 year olds I know still don't.

(Às vezes sinto-me velha. Queria ter 17. Aos 17 pensava que ia ter tempo para fazer tudo o que quero fazer. 10 anos depois, começo a duvidar que tal seja possível...)

Amo ergo sum...

... e precisamente nessa proporção. (Ezra Pound, 1885-1972)

8.9.07

Os gatos da minha vida #1 - Charlie

Definitely, I’m a felis silvestris catus person. Quanto mais os conheço mais os amo, mais os aceito na sua sensível e inteligente existência, mais os admiro e, em conclusão, mais dependo deles. Cada gato que conheço ensina-me algo. Todos têm os seus traços comuns, e, no entanto, em cada um há uma individualidade suprema, uma personalidade única e um sem fim de características que os tornam isso mesmo, grandes e ricos e belos seres, felinos que aceitaram viver mais perto de nós, domesticando-nos um bocadinho todos os dias.

O gato da minha vida sobre o qual escrevo hoje só podia ser o Charlie. Não que eu o ame mais que a outros (bom, talvez um bocadinho de nada mais), mas foi o primeiro gato (e até hoje o único) que é mesmo meu. MEU. E eu dele. “Gato e dona, gato e dona!”, costumava cantarolar com ele ao colo, nas nossas solitárias noites em Sines. Posso dizer que o salvei de uma vida pindérica e provavelmente curta, mas quem salvou a vida a quem? Quem me recebia com miaus e turrinhas e rom rons poderosos quando me sentia miserável em Sines, achando que ia apodrecer ali no fim do mundo, sem nunca mais voltar a pôr os pés numa cidade grande? Era ele, o meu Charlizão, o meu Charlizito do meu coração.

O Charlie foi recolhido da rua com cinco meses, e já era um grandalhão. Agora está enorme e continua mansarrão e malandro. Não emigrou comigo para Madrid, ficou “temporariamente” em Lisboa com os meus pais... claro que se apaixonaram por ele, como não?, ele é um sol de ternura. A minha mãe lá se desculpa com comentários do estilo “como é que fazes quando vieres cá de fim-de-semana” ou “coitado do gato, anda sempre para trás e para a frente”, mas eu sei que na verdade e ainda que não mo diga é porque lhe ia partir o coração ficar sem ele, agora que já são todos uma família feliz. E pronto, partiu-se-me o coração a mim não o trazer, mas decidi-o e não me arrependo. O Charlie agora já não é meu, é nosso, “é de todos”, como diz a minha irmã, mas a verdade é que nós é que somos todos dele.

(Foto de Novembro de 2006, quando nos tornámos Gato e Dona!)

5.9.07

Sónia, a mais guapa!

Emigrante tuga que se preze não perdeu, no sábado passado, o festival eurovisão da dança. Eu, claro, votei furiosamente, gritei e vibrei com as pontuações, à medida que o programa avançava e quase todos os países davam pontinhos a Portugal. O momento da noite aconteceu com os 12 pontos vindos da Suiça, garantido por todos os emigras tugas desse país antipático. E se a França, a Bélgica e o Luxemburgo tivessem participado era vitória garantida! Mas atenção, ali havia talento, todos os países o reconheceram. E verdade seja dita, a sensualidade e o palminho de cara da Sónia Araujo ajudaram com certeza, mas sim, dançaram muito bem e as coreogafias eram espectaculares.

Mas o mais divertido eram mesmo os comentários de inveja mal dissimulada das comentadoras espanholas, perante tamanho estilo e beleza provenientes directamente de Portugal. A espanhola de serviço era uma matrafona sem jeito nenhum. Ai ai, que bem que sabe ser portuguesa nestes momentos...

26.8.07

Há dois anos começou Espanha

Hoje faz dois anos que comecei a minha super-hiper-mega extenuante pós-graduação em Petroquímica (sim, a química derivada do petróleo, ex-ouro negro convertido em bode expiatório de todos os males da sociedade). E há dois anos, numa das minhas últimas tentativas de manter em Madrid um quotidiano que se assemelhasse minimamente à minha recém abandonada vida de Lisboa, tive uma experiência hilariante e inesquecível, daquelas que nos fazem gostar de estar no estrangeiro. Ora, às oito da manhã em ponto, acendo a televisão para ver as notícias enquanto como o meu Chocapic com leite fresquinho, não é que, em vez de notícias vejo.... TOUROS? Em todos os canais, em directo, TOUROS! Mas não eram simplesmente touros, eram encierros, essa coisa engraçadíssima que consiste em correr à frente de touros gigantes, possantes e cheios de energia. Eram os encierrros de San Sebastián de los Reyes, uma versão mini dos San Firmines de Pamplona celebrizados por esse comuna irremediável do Hemingway. O mais hilarinte foi o final. No túnel de entrada da praça de touros, um grupo de pessoas (acho que eram todos homens, valha-nos que em geral estas atitudes de santa estupidez lhes estão reservadas a eles) amontoavam-se umas por cima das outras, e claro está, vinham os touros lançados e queriam passar, e eventualmente passavam, daquela forma suave e simpática que os touros têm de demonstrar as suas vontades. Assim foi o pequeno-almoço do primeiro dia de um ano de ISE, um ano exasperante, louco e inesquecível. Nesse dia, quando saí de casa, não tinha visto notícias de guerras e atentados, de violência doméstica e assassinatos, de economia e política, como acontecia habitualmente em Lisboa. Saí meio excitada com aqueles gritos todos, com aquela gente maluca que às oito da manhã estava ali, em directo, na TV, a viver aquela parvoíce como se fosse a coisa mais emocionante do mundo. Coisas destas, só em Espanha.

21.8.07

I'm back!!!

Voltei voltei, voltei de láaaaa.... Ainda ontem estava no limbo da net E agora já estou cá! Yupiii! :)

27.7.07

Lamentações...

Não gosto de postar se não posso ver o resultado final. É como se, num desses sábados com saída de arromba incluída, depois de uma tarde de banho relaxante, depilação, máscara, exfoliante, esticar cabelo, pintar as unhas, maquilhagem e roupinha da moda do momento, tivesse de sair de casa sem me ver ao espelho. Eu PRECISO de ter acesso total à internet. Fico agoniada só de pensar no conceito “escrevo hoje, posto amanhã”. Tenho tido vontade, mas não estou na rede. O conceito cybercafé também está fora de questão... em 2001 era uma cena muito in, hoje em dia não passam de antros de gente estranha e levemente sociopata. Assuntos também não me faltam, mas comigo a coisa tem de ser espontânea. Apetece-me, escrevo, posto. Tudo assim de enfiada. Isto é tudo culpa da Telefónica, essa grande porcaria (para não dizer nenhum palavrão) de empresa. Imagine-se, é a maior companhia de telecomunicações da Europa. Ora maior significa “a que ganha mais dinheiro”, não “a que serve melhor os seus clientes”. É incrível. Ao pé destes, a PT é uma criancinha do jardim escola (dos mais novinhos, os bibes amarelos). A sério. A Telefónica é diabólica, e eu estou no limbo da world wide web, esquecida do mundo, do céu e do inferno. Ora bolas.

16.7.07

Acabei de descobrir...

... que, apesar do espertinho do informático ter bloqueado todas as páginas terminadas em blogspot.com, depois de eu ter acedido a elas, aqui no trabalho, umas inocentes e ocasionais vezes (não mais que vinte de certeza)... descobri que tenho o blogger. com activo! Ou seja, afinal sempre posso postar de aqui... só não posso ver o resultado final (ou seja, se começarem a aparecer imagens de homens bonitos e jeitosos e nus aqui Há Mais Mundos está claro, clarissímo como água que foi engano! :)

7.7.07

Este fim-de-semana...

...OPERAÇÃO MUDANÇA!!! Transportar coisas da casa da Bea para a minha casa, ida de emergência ao IKEA para comprar complementos, ida ao Carrefour / Corte Inglês para abastecer a dispensa!
(Com a quantidade de tralha que já acumulei em apenas 1 mês e tendo em conta que metade do meu guarda-roupa de Verão e todo o de Inverno ainda está em Lisboa, no dia que regressar a Portugal tenho que contratar uma frota inteira para me fazer a mudança...)

4.7.07

Grey's Anatomy

If you knew that this was your last day on earth, how would you want to spend it?

30.6.07

Euro Pride 2007

Até amanhã, domingo, decorre a semana do orgulho gay. Pela primeira vez Madrid é a cidade anfitrã dos acontecimentos, que visam chamar a atenção para a discriminação e desigualdade que os homossexuais e lésbicas de todo o mundo enfrentam nas sua vidas. Assim descrito de modo rápido e comezinho, as festas do orgulho gay são uma mistura de santos populares (argh!, vide este post) com freak show do mais alto nível. Está claro que a Margarida, sempre sedenta de experiências novas, diferentes e que a façam sentir uma cidadã do mundo, não faltou à festarola.

Conclusão: choca-me. Pronto, já o disse. Não vou estar aqui com merdas muito politicamente correctas e dizer que é tudo muito normal e que tal e que qual. Eu realmente acho que os direitos devem ser os mesmos, e os deveres também, como de resto também o penso em relação a homens/mulheres, pretos/brancos, cristãos/mulçumanos. Por isso não faço distinção quando os grupos envolvidos são heteros/homos. Mas que posso fazer? Não é o meu mundo. E por isso choca-me. Ao mesmo tempo que me fascina. Em algumas situações mete-me nojo, mas também me metem nojo os casaisinhos hetero aos beijos melados no metro. Desde esse ponto de vista sou algo conservadora. Não me agradam muito exibicionismos. Mas pronto, quer dizer, orgulho gay is all about that, é o exibicionismo na sua vertente mais animal e instintiva, e eu fui-me lá meter no meio de livre vontade. Por isso, não me queixo.

Ontem a noite começou num restaurante super in da Chueca, o famoso bairro de Madrid centro de todos os eventos “gay related”. Mas o melhor, claro está, veio depois. A Chueca estava cheia até mais não, em todas os largos estavam montados palcos onde decorriam shows, concursos de misses, de karaoke e por toda a parte estavam montados ecrãs gigantes a passar imagens de homens nus com corpos musculados e depilados. Em tudo o que era palanco grupos de homens dançavam de forma marcadamente sexual, vários seminus e claramente alterados. Por todas as partes, homens. Altos, baixos, gordos, magros, bonitos, feios. Paneleiros assumidíssimos e felizes.

Senti-me um bocado magoada. Supostamente este também é um evento de lésbicas, mas não só são em muito menor número como a imagem da mulher como símbolo da sensualidade e beleza foi completamente banida. É incível, porque metade daqueles homens já não é que sejam simplesmente homossexuais, mas querem também ser mulheres. No entanto, imagens de mulheres “verdadeiras”, nem vê-las.
Por outro lado também me senti bem. Enquanto era esmagada por magotes de gente ao passar nas zonas mais congestionadas, ocorreu-me que, se aquilo fossem os santos populares, eu já tinha sido apalpada umas vinte vezes. No entanto, ali, a única preocupação foi agarrar-me à minha mini mala com unhas e dentes.

Foi divertido, e sobretudo, diferente. Sem dúvida, o ambiente transbordava igualdade. Um olhar mais atento leva-nos de volta a essa eterna questão das sociedades democráticas: quem decide o que é “normal”, a maioria? Mas para que a democracia seja justa, situações há em que tem de ser a própria maioria a decidir por una minoria. Não faz sentido atribuir o ónus da razão com um pressuposto numérico, ainda que este seja o que mais ânimos apazigua.

De resto, nada mais. Todos os homens altos, bonitos e espadaúdos de Espanha estão na Chueca, ie, são gays. E, eu, lá no meio, a minoria "gaja, hetero" de serviço. Não há dúvidas, há mais mundos. Muitos mais. Muitos, mesmo.

28.6.07

Não aguento mais...

...com saudades dos meus gatos! Por isso, delicio-me com os gatos de outros!

Bom dia Alegria!


Este post tem o único e exclusivo propósito de anuciar que já tenho internet no trabalho!! Sou outra vez uma pessoa completa. :) Uuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!

26.6.07

Eu sou a Margarida

Eu já tive esta conversa cinquenta vezes, já sei todos os passos de cor, mas não vou desistir do meu nome, esse mesmo que tanta gente já tentou adulterar com nicks e diminutivos foleiros. Eu sou Margarida, e não há nada nem ninguém que consiga demover-me de utilizar este nome, o meu adorado nome, mas demasiado grande e complicado para a maioria das pessoas. Ora, quando há espanhóis (ou ainda melhor, espanholas) à mistura, a questão é mais delicada. Cenário: eu a tratar de uma qualquer burocracia ou simplesmente algo que implique deixar o nome, contacto (tipo lavandaria). Señorita: “Tu nombre, por favor? Eu: "Ana Margarida" (dito com as vogais todas abertas para ser compreensível) Señorita: "Ana... Margarita, no?" Eu: "No, Ana Margarida, con una d en el lugar de la t." Señorita: "Aaaaaaaahhhh, vale, vale..." (Agora vem a parte chata, pois as espanholas são umas cuscas do pior, incapazes de estarem caladas dois minutos. Como a “señorita” da repartição de finanças / loja / ginásio / etc. já percebeu que eu sou estrangeira, está com as anteninhas no ar em busca de mais informação. Señorita: "...Y Margarida es nombre o es apellido?" Eu: "Es nombre, como Margarita, pero con una d." Señorita: Aaaaaaaahhhh, que guay*! ... es mucho más bonito Margarida que Margarita... a que sí, a que sí... (ela está a ver se eu digo de onde sou, mas eu nao me desfaço, então não tem mais remédio que voltar à carga) Señorita: "... y eres de donde?" Eu: "De Portugal, de Lisboa." (Digo logo tudo porque já sei que a seguir me vai perguntar de onde em Portugal). E pronto, depois apanho uma seca, tenho que estar cinco minutos a sorrir educadamente. Enquanto isto, a senhora faz comentários simpáticos “Lisboa me encanta” ou “como me gustava ir a Lisboa”, devidamente ilustrados com aventuras da excursão ou os motivos que a fizeram adiar inúmeras vezes a tão desejada viagem, ou ainda as história da amiga que tem um primo de Badajoz que se casou com uma portuguesa e têm filhos bilingues... Deeeeeeeus! Algumas ainda me perguntam pelos tais amigos “es Maria, la conoces, es de Elvas... Realmente, num país com apenas dez milhões de pessoas, quem diria que eu não conhecia a Maria de Elvas. Tsss tsss tsss.... A ignorância de muitos espanhóis é em tudo comparável à da maioria dos portugueses, mas há uma diferença clara. Os espanhóis, em geral, são mais simpáticos e extrovertidos. E em geral são mais educados, ou talvez não sejam mais educados, mas como não estão constantemente com aquela postura de “todos me devem ninguém me paga” de muitos dos meus conterrâneos, são mais suportáveis. Não sei exactamente qual é o motivo, mas apesar da seca, eu aguento, vou abanando a cabeça em sinal de concordância, sorrio e quando posso, lá me saio com um “Gracias, hasta luego!” e piro-me dali para fora, não sem antes levar de resposta um alegre “A ti, cariño, a ti!”. Não há nada a fazer. Isto, é Espanha. * Guay é uma expressão um bocado foleira que significa engraçado, giro, estupendo, etc. – ou seja, tem um sentido bom.

24.6.07

TP quê?

Se há coisas que me deixam profundamente aborrecida (e quem me conhece sabe que, infelizmente, não são poucas), há uma que recentemente me tem dado cabo dos nervos. Definitivamente, virou moda utilizar a TPM como desculpa para tudo e mais alguma coisa. Quer seja no elevador, no restaurante, no supermercado e claro, no trabalho. O verdadeiro horror é bem interpretado por esse malfadado grupo que eu designo por “pseudo modernas e emancipadas”. São jovens um bocado parvas, entre os 24 e os 35, solteiras (ainda...) e sem filhos, são assim uma especie de versão portuguesa do Sex and the City (mas só à primeira vista, que as série têm tomates). Estas são independentes, vão ao ginásio todos os dias e vivem a sua sexualidade de forma plena. Mas depois há que gramar os seus “ai ais” permanentes por tudo e por nada. O pior é que fazem questão de o dizer alto e bom som, por entre muitas e variadas futilidades, como se isso de ter TPM fosse uma exclusividade e as fizesse melhor que as demais. É que é tamanho o descaramento que só me apetece virar à estalada... Dois exemplos típicos: O que dizem: “ah, ontem não consegui terminar o projecto a tempo, estava cheia de dores de barriga”, A verdade: “Sou uma lambona de primeira e também muito chica esperta, o chefe é homem e come a desculpa na perfeição, a gaja do lado que se amanhe com os prazos” O que dizem: “é verdade, respondi mal, desculpa fofinho... estava sem paciência, sabes, estou naqueles dias, não fiques chateado comigo...” (Isto acompanhado de lágrima a avisar choradeira certa.) A verdade: “Sou uma serpentezinha manipuladora, vou-te transformar no namorado mais obediente do mundo e quando deres por ela já nem a quarta feira à noite terás livre para a saída de homens... BUAH AH AH AH” Não compreendo, a sério. Passamos toda a santa história da humanidade a aguentar e a sobreviver a torturas e descriminação. Ainda hoje é o que é, com excisões, escravatura sexual, queimadas vivas e sei lá eu que barbaridades mais. A Margaret Sander e outras que tais rebolariam dentro dos seus caixões se soubessem da tamanha estupidez destas coitadinhas do século XXI, a quem se lhes tem de desculpar tudo porque é da TPM. Pois comigo, estão fodidas. TPM é um caso muito sério, e eu conheço mulheres que sofrem bastante com esta herança genética da porra, e nunca as vi utilizarem a airosa desculpa para se livrarem de trabalhos e responsabilidades (as minhas amigas são mulheres cheias de personalidade). Por isso, as parvinhas que me passem pela frente com esse tipo de merdas que se amanhem, porque de mim, não esperem nem sequer Trifenes emprestados.

22.6.07

Oh sí, I DO Feel Like Dancing

De volta ao Verão

Por estes dias, há três anos, eu deixei a Direcção da Associação dos Estudantes do IST, convicta de que era o momento certo, mas ainda assim com um aperto no coração. Há dois anos, na mesma altura, fui chamada para a entrevista que me trouxe a Madrid pela primeira vez. Há um ano, faziam-me a proposta que me ia levar outra vez para Portugal, a trabalhar para espanhóis, naquele que foi o meu primeiro emprego “a sério”. Este ano, eu, de volta a Madrid. E o Verão, de volta a mim. Consigo finalmente encontrar a casa dos meus sonhos no dia inaugural da estação. E se ontem o Verão veio tímido e desconfiado, hoje é, sem dúvida, o dia mais extraordinário do ano. O sol forte, a brisa morna, as esplanadas, o Retiro, tudo em perfeita harmonia. “Bem-vindo, Verão!” digo eu, “Bem-vinda, Margarida”, responde-me ele sorrindo – “eu nunca deixei de estar aqui”.

21.6.07

E 18 dias depois...


Arranjei casa! A minha... huuumm... deixa ver.... a minha sexta casa em 3 anos! Já a adoro e ainda nem me mudei! Estou tão contente!!!! Estou pior que as criancinhas no recreio das três e meia! :)

(Quem não está tão contente é a minha carteira... mas enfim, já sabia eu o que me esperava.)

A minha casinha é no quarto andar e corresponde à terceira, quarta e quinta janelas a contar esquerda. Em duas semanas mudo-me, mal posso esperar!

E depois... FIEEEEEEEEESTA!

20.6.07

Always The Hours

To look life in the face

A minha visão da vida é simples e complexa ao mesmo tempo. É como as principais leis que governam o nosso universo (ou seja as físicas, que as outras só servem para dar emprego às meninas que iam para direito porque não "gostavam" de matemática e cuja cabeça sempre foi mais dada a cabelos que a neurónios). Essas leis são simples na sua essência, mas com implicações profundas no universo espacio-temporal. A minha insignificante vida, um caminho demasiado breve por este espaço e neste tempo, guia-se por umas breves palavras, não originais. São as palavras finais do The Hours.

19.6.07

Finalmente...


... encontrei o homem da minha vida! Chama-se Tom... Tom Tom, salva-me a vida várias vezes ao dia e nunca está de mau humor, nem se põe a refilar comigo quando, apesar das clarissímas indicações, eu me engano no caminho. É um querido, um fofo, o meu melhor amigo. Ainda assim, demasiado perfeito. Está-se mesmo a ver que quando já conhecer bem Madrid o mando dar uma volta! São assim as mulheres... umas cabras!

16.6.07

Santo António já se acabou...

Esta semana foi de Santo António, em Lisboa, evento a que qualquer alfacinha que se preze deve apelidar de “fantástico”, “espectacular” ou outro adjectivo assim não muito elaborado. Sinceramente, eu pergunto-me: como é que alguém pode gostar daquilo? Eu digo isto sem qualquer tipo de snobismo, de verdade. Sou uma rapariga prática, faço campismo desde que nasci, corri festivais de Verão vários anos seguidos, não tenho medo de aranhas, ratos, gafanhotos e adoro sardinhas (quer dizer, comê-las) e adoro também a minha Lisboa maravilhosa... mas da próxima vez que for aos santos populares é porque me converti numa pessoa importante e um convite irrecusável me obrigou a estar sentada na tribuna VIP, a assistir a esse must da nossa cultura, totalmente desprovido de sensualidade e glamour: as Marchas Populares. Doutra forma, obrigada, mas não, obrigada. Uma coisa é a natureza, outra coisa são os santos populares. Carrego nos ombros vários anos de santo António, pelo que falo com relativo conhecimento de causa. Mas a cada ano eu perguntava-me cada vez com mais frequência: “Porquê?” “O que faço aqui?”. E claro se uma pessoa se pergunta muito o porquê de uma coisa, o melhor é acabar com ela. Para a vida, ficam memórias interessantes. As histórias são (quase) sempre as mesmas e em geral contadas como se de coisas extremamente únicas se tratassem. Eu como observo a coisa de fora já tenho discernimento para sistematizar a experiência por tópicos. - Comprar sardinhas (que sabe-se lá onde é que andaram) e comê-las rapidamente de forma a minimizar o número de encontrões por segundo, e ainda conseguir brindar com cerveja mal amanhada e frequentemente morna do tasco improvisado mais próximo. Impossível só mesmo não entornar a cerveja. Tudo o resto (inclusive intoxicação alimentar) pode acontecer. Classificação: 1 estrela – Que divertido! - Subir até ao castelo na hora de ponta da festa, algo que todos devem experimentar uma vez na vida (mas não mais que uma): desde esmagamento, apalpões cobardes, cheiro a vomitado, a suor e a peido, gente em pré-coma alcoólico (esses não chateiam, visto que já estão no chão) os outros que ainda estão longe do coma (piores, porradaria e caralhadas é com eles), há de tudo! Classificação: 2 estrelas – E-S-P-E-C-T-A-C-U-L-A-R! - O normal é que no ano seguinte a se ter subido ao castelo se decida ficar no mesmo sítio a noite toda, a conversar e a admirar as vistas. Se o local for bem escolhido até se vêem uns quantos famosos no meio da multidão que passa, e com descaramento suficiente é possível conseguir foto com a estrela! Classificação: 3 estrelas – Momentos para a vida! - Ter encontros imediatos com as meninas que participam nas marchas, principalmente se forem dos bairros com mais “tradição” – são espécies em vias de extinção do povo de Lisboa – mas é recomendável não as olhar nos olhos e muito menos para o namorado, que isso dá direito a tareia, no mínimo. Classificação: 4 estrelas – Isto já é muito mais que diversão é, isto é outra dimensão! - Mas o ponto mais alto de qualquer Santo António é IR de CARRO(!)... e REGRESSAR DE CARRO(!!). Lindo. Isto sim, é garante de uma noite de cinco estrelas. O início da noite é caótico, o meio é qualquer um dos supracitados acontecimentos, e o desfecho é TOTALMENTE imprevisível: operação stop e oh, como pode ser, como? MULTA! Depois, há que comentar com ar de pessoa injustiçada da sociedade civil: “é pá, nem imaginas, fui apanhado numa operação stop nos santos populares... e acusei, eu que nem bebi quase nada...” Classificação: 5 estrelas – Sou o máior! Mas o mais importante, quer a experiência seja de uma ou cinco estrelas, é respeitar a diversidade de opiniões no nosso mundo. Eu não gosto, não vou. Quem gosta, vai. E aconteça o que acontecer, é, literalmente, um banho de cultura portuguesa. O que quer que isso implique... ou signifique.

13.6.07

Eu hoje acordei assim...


Ao contrário da Bomba Inteligente e de umas quantas plagiadores existentes por essa blogosfera fora, eu nunca tive a sorte de acordar linda e resplandecente. Mas esta semana, acordando às 6 da manhã (bom, depois fico mais um bocadinho na cama, tipo cinco minutinhos... até às sete!) e com o factor acrescido de que estou a dar em doida com a procura de casa, não fico a dever nada ao Duffy Duck nos seus piores momentos (ou seja, quando é violentamente gozado pelo Bugs Bunny.)

9.6.07

Lições de Realidade

E pronto, já cá estou. Afinal, não fico a trabalhar no centro. Decidiram que vou ficar a trabalhar num dos “projectos grandes”, e como o cliente exige que a equipa trabalhe toda junta, pois muito bem, estou num edíficio novo, en Sanchinarro (que é Madrid mas no cu de Judas). Como ia trabalhar no centro resolvi não trazer já o meu carro. Erro crasso, porque assim sendo, demoro uma hora de casa ao trabalho. Os transportes públicos funcionam muito bem, há que dizê-lo. Mas a cidade é grande. De qualquer forma, não me importo, são só duas semanas. Acho que volta e meia é bom descer à terra e fazer o que outros têm de fazer toda uma vida. Dá-se mais valor ao que se tem.

A primeira parte do trajecto é em metro, desde Menéndez Pelayo até à Plaza de Castilla. Na boca do metro distribuem-se vários jornais diários gratuitos. Uma das edições desta semana tinha como manchete “Los inmigrantes nos ayudan a vivir mejor”: em Espanha há cinco milhões de emigrantes e são necessários outros cinco milhões a curto prazo. Eu agora também sou uma verdadeira emigrante, desconto para a segurança social e tudo. Mas a maioria são sul americanos. Têm umas vidas de trabalho interminável, passam o ano a juntar dinheiro para ir a casa no Natal, mas ainda assim ficam. A vida na Europa é incomparável, e os seus filhos já nascem espanhóis, garantia segura de uma vida melhor e com mais oportunidades. É o “American Dream” ao melhor estilo europeu.

Na Plaza de Castilla saio do metro e apanho um autocarro até ao trabalho. É uma loucura. A quantidade de gente, de todos os tipos, a correria, os autocarrros, taxis, automóveis, as torres kio, e outras em em construção. Acho que esta semana me cruzei com mais gente que em toda a minha vida. É impressionante.
Nos últimos dias houve alguns desenvolvimentos pouco positivos relativamente à questão da ETA. A ameaça de atentados é permanente, mas não paralisante. Acho que todos têm consciência do fácil que é provocar um atentado, mas todos esperam não estar no momento errado na hora errada. Acima de tudo, Madrid nunca dorme. Noite e dia, faça chuva ou faça sol, com ou sem atentados, Madrid cresce, Madrid avança. Aqui, vive-se.

Plaza de Castilla e as Torres KIO

3.6.07

Here I go again!

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30.5.07

Conclusões

Em altura de balanço inevitável, reflicto sobre o melhor dos últimos meses. Não acabo de compreender como é que o destino me levou para Sines (olha eu a demitir-me das minhas escolhas e a desculpar-me com esse pobre ente que arca com todas as desgraças dos portugueses, o destino, o nosso fado preferido!). Mas volto com algumas conclusões seguras:

- Agora sim, tenho a certeza de que eu não fui feita para viver no campo. Eu já sabia, mas permanecia aquela duvida que corroi, aquela vozinha que me dizia "Margarida, tu se calhar até vais gostar dessa vida pasmacenta, da suposta qualidade de vida, de não ter trânsito, qualquer dia até pode ser que tenhas umas galinhas e uma horta..." Definitivamente, NÃO! Agora posso dizer à parvalhona da vozinha que esteja caladinha, eu já experimentei, e não fosse o maravilhoso ginásio Kalorias ter imprimido algum ritmo ao meu quotidiano, bem que tinha definhado por ali.

- Eu não tenho mesmo perfil para aturar gente tonta, o que torna claramente impossivel a minha continuidade num sítio em que o tonto em particular é o chefe. Sim, eventualmente boa pessoa, divertido, coitadinho está a fazer o melhor que sabe, mas o melhor que sabe é muito fraquinho e infeliz de mim, nunca consigo disfarçar o meu desagrado! Sinceramente, não estou para aturar malucos. Antes eles que eu.

- Aprendi que não interessa o nome da empresa para a qual se trabalha, não interessa que seja uma das dez melhores da Europa para se trabalhar, que seja a mais transparente, ou a que mais investe em conhecimento. O que interessa é o chefe que se tem (vide parágrafo anterior) e o ambiente geral de trabalho. Mas foi bom, fiz tábua rasa às minhas expectativas, quiçá bastante exageradas. Às vezes é preciso.

- Last but not the least, além dos seis gatinhos e duas gatas a quem salvei a vida, eu fui a Sines para voltar com o meu Charlie, o gato que eu ansiava e que foi abandonado à minha porta com apenas cinco meses. O meu Charlie, e perdoem-me aqueles que acham que um gato "é só um animal", é a razão pela qual eu jamais me arrependerei de ter passado por Sines, entre Agosto de 2006 e Maio de 2007.


28.5.07

Ter dois dedos de testa...

... é por gasolina no Intermarché (ou qualquer outra cadeia de supermercados que venda mais barato e ainda em cima com desconto das compras efectuadas). Isto é garantido, meus amigos. Olhem que eu sei como se faz gasolina. E mai nada!

27.5.07

Adeus Sines

E pronto, com muito suor mas sem lágrimas, lá consegui empacotar a tralha toda e deixei a minha mais recente casinha. De há três anos a esta parte que não passo um ano seguido no mesmo sítio. É engraçado, antigamente relembrava o passado com "o que eu estava a fazer", agora o raciocínio equivalente é "onde é que eu estava nessa altura".

De cada vez que mudo sinto um misto de algum medo e muita excitação. Quando se muda desiste-se de muitas coisas que habitualmente damos por garantidas, a favor de gente nova, hábitos novos, rotinas novas. E de que cada vez que se muda, começa-se tudo de novo. É um universo repleto de novas possibilidades que se abre à nossa frente.
Há inconvenientes, claro. É inevitável perder relações, ainda que goste de acreditar que tal não acontecerá. Mas enfim. Não me estou a queixar. Vou mudar outra vez porque quero, e desta vez com a vantagem de voltar a um sítio que já conheço.

Vou ter uma semana apinhada, entre burocracias legais, compras variadas, almoços e jantares de última hora com amigos e família, promessas de visitas, etc, etc, etc. Assim, ala que se faz tarde! A Sines voltarei sempre com o coração, e de corpo e alma no Verão!

24.5.07

Previously on Lost

Oh, o que vai ser de mim? Pronto, já está, acabei de ver o season finale do lost! Lindo. Soberbo. E agora? Como é que vou aguentar até Fevereiro de 2008?

18.5.07

Viver junto ao mar

Pois é, passei dez meses a agonizar em Sines, mas como sou um coração mole, na hora do adeus, levo mais boas recordações do que pensava à partida ser possível.

E o mais engraçado é que depois de ter passado todo este tempo a refilar, vou ter imensas saudades do mar! Se dúvidas houvessem, é a prova provada de que sou portuguesa, aliás, desconfio até que haja uma forte possibilidade de, noutra vida, ter sido o Vasco da Gama.

Viver ao pé do mar é um filme totalmente distinto daquele que sempre idealizamos (normalmente cheio de romantismos e lamechices). A verdade é que, de um ponto de vista prático, viver ao pé do mar é uma bodega. Em todos os cantos da casa, nas paredes, no fundo das gavetas, em todas as bolsas e tops e saias e sapatos, em todas as partes descobre-se, entranhado até à medula, esse terrível inquilino (que ainda para mais não paga renda!): o BOLOR!

E qual desumidificador, qual quê. Com os litros de água que eu saquei do ar da minha casa nos últimos meses podia-se combater a seca no interior do Alentejo durante os próximos cinco verões, no mínimo. Aliás, acaba de me surgir uma ideia com um potencial interessantíssimo: instalar um sistema de desumidificação atmosférica ao longo de toda a costa alentejana e vicentina, canalizar a aguinha directamente para o interior e voilá, aí estavam todos os sistemas de rega que ainda não existem, apesar do Alqueva. Que pena, já não serei eu a implementar tão genial projecto.

Mas sim, a bem da verdade há que admiti-lo, ver o mar todos os dias é um privilégio sem igual. Apesar da humidade e do vento (há que aprender a viver-se despenteada), eu sei que vou ter muitas, mas mesmo muitas saudades desta vista incrível da minha janela. Mas é vida e já se sabe, não se pode ter tudo, e seguramente não se pode ter o melhor de dois mundos.

14.5.07

Quando a esmola é demais...

Estava aqui animadamente a ver anúncios de apartamentos em Madrid, quando de repente encontro esta pérola: BUSCO CHICA PARA COMPARTIR PISO DE LUJO, EN PUERTA DEL SOL, MADRID Piso para 2 personas valorado en 2.100 €/mes, con todas las comodidades y con derecho a todo. Tiene todo: lavavajillas, secadora, aire acondicionado en todas las estancias, hidromasaje, televisores plasma, dvd, suelos Madera, asistenta, etc.Precio: nada. A cambio me basta una cita a la semana. Cita puede incluir salir a cenar, tomar algo, intimar, etc. 1 vez/semana máximo.Comparto por meses, semanas,... me adapto.YO, empresario de 33 años, soltero, siempre trabajando y sin tiempo para vida social. Alto, educado, no-fumador, simpático, divertido y muy buena planta.Se requiere buena presencia, saber estar, y edad máxima 32 años. Email: pisolujoensol@hotmail.com Lindo. Isto é mesmo incrível. Gosto especialmente da parte em que se diz "1vez/semana máximo" assim como quem tenta convencer-nos a fazer uma cena muito chata mas como é só de vez em quando pronto, então vá, nem custa tanto. Que parvalhão.

13.5.07

Absolutamente

Eu Absolutamente, Ele Simplesmente. Porque os nossos nicknames transbordavam classe, em oposição à piroseira abundante de "coisinhos" e "coisinhas" que a maioria dos casalinhos proferem por entre beijinhos peganhosos e enjoativos. A história é simples, e remonta ao início da nossa atribulada relação. São tão fascinantes os inícios, deviam nunca terminar. Num qualquer momento de parvoíce absoluta, abraçados, a rir, ele dizia “Oh pá, oh pá, tu és absolutamente, absolutamente...” e ficava ali, a rir e a pensar na melhor expressão. Nesse tempo, “quando o meu corpo era um aquário, e os seus olhos peixes verdes”, ele apelidava-me de absolutamente espectacular e incrível e fantástica e estupenda e tudo e tudo e tudo. Mas está claro que com o tempo a pureza perdeu-se. Foi substituida por palavras vãs, desconfianças, mentiras e intolerância. Eu continuei a ser Absolutamente... mas no meio das discussões e das palavras gastas, eu sabia que quando ele dizia “tu és absolutamente” e ficava a pensar, as expressões que lhe ocorriam eram outras, o que lhe vinha à cabeça era insoportável e irritante e crítica e arrogante em vez de espectacular e incrível e fantástica e estupenda. Mas é assim, vemos sempre melhor as qualidades dos que conhecemos mal e os defeitos dos que conhecemos bem. Seja como for, ele nunca duvidou, nem eu, que chamar-me Absolutamente era definir-me com uma palavra. Para o bem e para o mal, eu tenho um compromisso dos meus actos com as minhas palavras, eu sou tremendamente consequente, eu só posso e só consigo viver com determinação total e absoluta. Absolutamente sou eu.

12.5.07

Boa publicidade

Cada vez que oiço aquelas três adolescentes putéfias com o seu “trim, trim...trim, trim”, tenho que ir ver o melhor anúncio do ano (até ao momento) para aliviar o stress. Infelizmente não abunda, mas eu adoro boa publicidade!

9.5.07

É a cultura, estúpido!

Como cada um puxa a brasa à sua sardinha, e porque me irrita um bocado esse conceito pobrezinho de que ter muita cultura passa apenas por conhecer muitos autores e fazer muitas citações e saber a história da literatura de trás para a frente, deixo aqui uma informação bombástica (mesmo BOMBÁSTICA) para todos os pseudo ambientalistas pelintrosos que abundam por esse mundo fora (e para alguns jornalistas também). Esses senhores, essa corja ignorante que debita mentiras patéticas a torto e a direito, violando não raramente as mais básicas leis da física, da química e do senso comum, deviam fazer o favor de estar calados. Mas não. Não. Temos que levar com eles como se fossem os donos inequívocos do planeta, como se das suas bocas saisse algo mais que baboseiras e desejos incontrolados de protagonismo, disfarçados de preocupação com o ambiente. Claro que a comunicação social tem culpa nisto, porque papa tudo, tudo, é incrível, é com cada estupidez que o melhor mesmo é rir para não secar de tanto chorar. Bom.

Então é assim. Aquelas imagens aterrorizadoras que vocês adoram propagandear como poluição atmosférica, aquelas chaminés a debitarem enormes quantidades de fumo branco, sabem? Não é fumo assassino, é só ÁGUA.

A pior poluição na maioria das vezes nem se vê, amiguinhos. E não me venham com a treta do impacto visual, que se isso matasse não havia gente neste país, tendo em conta a quantidade de mamarrachos que se constroem a torto e a direito.

Para lutar contra quem de facto viola as leis e polui impunemente, seria necessário vossas excelências terem, no meio da tanta histeria colectiva, alguém com verdadeiro espírito científico, que medisse e analisasse cada situação antes de se prender com algemas às portas de um qualquer complexo industrial a berrar palavras de ordem e desatar a telefonar para os jornais locais do seu telemóvel, por sinal feito de plástico (mais uma informação bombástica – o plástico vem do petróleo, é melhor fazerem uma campanha contra).

Já agora, alguém me explica porque é que estes gajos são quase sempre comunas? E porque é que os comunas se colam sempre a causas que não têm nada a ver com a política? Que asco, deturpam tudo, transformam tudo em “povo versus interesses económicos”! Não há paciência!

8.5.07

Madeleine

Quem disse que a natureza humana era “boa” errou em cheio e todos nós o sabemos. Todos gostamos de acreditar que somos essencialmente “bons”, quando na verdade sabemos que de tão imperfeitos, necessitamos de encher as nossas sociedades de moral, ética e leis. E mesmo assim é o que se vê. Dos vários e repugnantes casos relacionados com crianças que têm vindo a lume na nossa comunicação social, a notícia do momento é, sem sombra de dúvida, a do desaparecimento da menina inglesa no Algarve. Sinto-me pouco atraída pela discussão dos efeitos colaterais deste caso, mas haverá com certeza vários empresários e presidentes de câmara a deitar as mãos à cabeça. “Raios partam a merda dos bifes” pensarão eles, porque quando pensam na desgraça daquela família, a verdadeira dor que sentem é a das contas que começam já a fazer: quantos desses bifes, a massa crítica que mais alimenta o Algarve, amedontrados com o que se tem dito na imprensa inglesa, não voltarão mais aos seus aldeamentos turísticos? Estes pensamentos não os confessam nem ao espelho, mas sabem que os têm, e sabem que a sua natureza é fundamentalmente mesquinha, em vez de “boa”. O que me atrai nesta história é pura e simplesmente o drama daquela família, os acontecimentos infelizes que lhes estavam destinados, aquela coisa mórbida que me obriga a colocar-me um pouquinho na seu pele (porque é impossível sentir tudo o que sentem) e a não conseguir evitar as lágrimas de cada vez que olho os olhos azuis, repletos de fim, de Kate McAnn. Lembro-me que quando era pequena tinha por vezes pesadelos nos quais pessoas tentavam roubar a minha irmã mais nova. Eram sonhos intermináveis nos quais eu fugia, com ela ao colo, mas ficava tão cansada por correr tanto, tanto, que me apanhavam sempre, e aí, felizmente, acordava. Lembro-me que uma vez, no Verão do meu oitavo aniversário, quando ainda passávamos boa parte das férias na Costa da Caparica, perdi-me na praia. Uma senhora viu-me choramingar, perdida, e com ajuda das minhas explicações levou-me ao parque de campismo, onde estavam os meus avós. Passado uma hora apareceu o meu padrasto na tenda, eu já estava lá, almoçada e tudo, ele estava muito vermelho e gaguejou quando me viu, deu meia volta e foi buscar a minha mãe, que tinha ficado na praia. A minha mãe estava na praia, à minha procura. Tinha-se recusar a sair da praia. Não podia ir embora, porque para ela, isso seria o mesmo que abandonar-me ali. Pergunto-me como será o dia em que a mãe da Madeleine se meter num avião, sem a sua pequenita de três anos, a caminho do Reino Unido. No dia em que tiver de deixar a praia, quanto de si regressará vivo, ao país de onde partiu, alegremente, para umas férias no Algarve.

5.5.07

Insiste, insiste!

Finalmente, ganhei vergonha na cara e decidi que já era tempo de voltar a tentar. Da primeira vez não correu lá muito bem, é um facto. Diga-se de passagem que não foi lá muito inteligente começar um blog a meio de uma pós-graduação suicida.
Agora, se tudo o que é dona de casa e administrativo da função pública com acesso a um PC tem um blog, euzinha também tenho que ter.
Eu, que tive de aturar as minhas profs de português e filosofia do secundário durante três anos: “Tenho a certeza que faria um óptimo curso de filosofia!”, “Tem tanto jeito para escrever, o jornalismo foi feito para si”! Coitadas, queriam à força que eu mudasse para Humanidades! E eu pensava “Yeah, right” e continuava a fazer contas à média que necessitava para entrar no Técnico. Sempre muito prática eu... primeiro, fazer licenciatura que garanta emprego, depois, logo se pensa em devaneios literários.
Mas uma vez, uma cartomante disse-me que ia ganhar o Nobel da Literatura. Ora, há que começar por algum lado, não é? Não há volta a dar, eu também tenho que ter uma porcaria d’um blog!! E por muito mauzinho que seja, é só mais um blog no meio de tantos. Não é obrigatório gostar, nem sequer ler. Mas foi mais forte que eu. Eu tinha que ter um blog.