9.6.07

Lições de Realidade

E pronto, já cá estou. Afinal, não fico a trabalhar no centro. Decidiram que vou ficar a trabalhar num dos “projectos grandes”, e como o cliente exige que a equipa trabalhe toda junta, pois muito bem, estou num edíficio novo, en Sanchinarro (que é Madrid mas no cu de Judas). Como ia trabalhar no centro resolvi não trazer já o meu carro. Erro crasso, porque assim sendo, demoro uma hora de casa ao trabalho. Os transportes públicos funcionam muito bem, há que dizê-lo. Mas a cidade é grande. De qualquer forma, não me importo, são só duas semanas. Acho que volta e meia é bom descer à terra e fazer o que outros têm de fazer toda uma vida. Dá-se mais valor ao que se tem.

A primeira parte do trajecto é em metro, desde Menéndez Pelayo até à Plaza de Castilla. Na boca do metro distribuem-se vários jornais diários gratuitos. Uma das edições desta semana tinha como manchete “Los inmigrantes nos ayudan a vivir mejor”: em Espanha há cinco milhões de emigrantes e são necessários outros cinco milhões a curto prazo. Eu agora também sou uma verdadeira emigrante, desconto para a segurança social e tudo. Mas a maioria são sul americanos. Têm umas vidas de trabalho interminável, passam o ano a juntar dinheiro para ir a casa no Natal, mas ainda assim ficam. A vida na Europa é incomparável, e os seus filhos já nascem espanhóis, garantia segura de uma vida melhor e com mais oportunidades. É o “American Dream” ao melhor estilo europeu.

Na Plaza de Castilla saio do metro e apanho um autocarro até ao trabalho. É uma loucura. A quantidade de gente, de todos os tipos, a correria, os autocarrros, taxis, automóveis, as torres kio, e outras em em construção. Acho que esta semana me cruzei com mais gente que em toda a minha vida. É impressionante.
Nos últimos dias houve alguns desenvolvimentos pouco positivos relativamente à questão da ETA. A ameaça de atentados é permanente, mas não paralisante. Acho que todos têm consciência do fácil que é provocar um atentado, mas todos esperam não estar no momento errado na hora errada. Acima de tudo, Madrid nunca dorme. Noite e dia, faça chuva ou faça sol, com ou sem atentados, Madrid cresce, Madrid avança. Aqui, vive-se.

Plaza de Castilla e as Torres KIO

3 comentários:

RP disse...

E, sobretudo, fazes algo que já não acontecia há algum tempo: tu vives!

Keep up the good work ;)

Margarida disse...

Sou obrigada a discordar. Eu vivo sempre, aliás, eu acima de tudo, vivo, e o facto de ter decidido mudar, não significa que não tenha vivido e aprendido muito em Sines. Simplesmente, era um outro mundo. E acho que o importante é isso, é viver em muitos mundos, saborea-los, saber deixá-los e absorver todas as experiências. Porque há mais mundos, há sempre outras formas de estar, e de pensar.

vicks disse...

Este post me gusto. Especialmente por las 3 últimas frases. No se si lo sabes pero España fue el país de la vieja Europa que mas a crecido en los últimos 3 anos. Fue sobretodo debido a la apuesta fuerte en la modernización de la industria y desarrollo del sector terciario con los fundos comunitarios (y no gastarlo con jeeps y casas veraneas).

No basta pasar por una ciudad un par de días para conocerla, hay que reír en ella, hay que sufrir en ella. Hay que cruzarse con millones de rostros desconocidos, hay que desesperar en las interminables colas de transito, hay que salir de fiesta y ahogar tus exasperaciones en combinados etílicos! En Madrid o Barcelona me gusta el facto que cuando sales de la discoteca hay mas gente en la calle do que cuando entraste!

Como el reply ya va largo, termino con una frase de mi amigo Rafita de Valencia:

No hay Españoles, Portugueses o Italianos, lo que hay es GENTE DEL SOL! Y mas nada!

Felicidades para este novo capitulo da tua vida!