24.6.07

TP quê?

Se há coisas que me deixam profundamente aborrecida (e quem me conhece sabe que, infelizmente, não são poucas), há uma que recentemente me tem dado cabo dos nervos. Definitivamente, virou moda utilizar a TPM como desculpa para tudo e mais alguma coisa. Quer seja no elevador, no restaurante, no supermercado e claro, no trabalho. O verdadeiro horror é bem interpretado por esse malfadado grupo que eu designo por “pseudo modernas e emancipadas”. São jovens um bocado parvas, entre os 24 e os 35, solteiras (ainda...) e sem filhos, são assim uma especie de versão portuguesa do Sex and the City (mas só à primeira vista, que as série têm tomates). Estas são independentes, vão ao ginásio todos os dias e vivem a sua sexualidade de forma plena. Mas depois há que gramar os seus “ai ais” permanentes por tudo e por nada. O pior é que fazem questão de o dizer alto e bom som, por entre muitas e variadas futilidades, como se isso de ter TPM fosse uma exclusividade e as fizesse melhor que as demais. É que é tamanho o descaramento que só me apetece virar à estalada... Dois exemplos típicos: O que dizem: “ah, ontem não consegui terminar o projecto a tempo, estava cheia de dores de barriga”, A verdade: “Sou uma lambona de primeira e também muito chica esperta, o chefe é homem e come a desculpa na perfeição, a gaja do lado que se amanhe com os prazos” O que dizem: “é verdade, respondi mal, desculpa fofinho... estava sem paciência, sabes, estou naqueles dias, não fiques chateado comigo...” (Isto acompanhado de lágrima a avisar choradeira certa.) A verdade: “Sou uma serpentezinha manipuladora, vou-te transformar no namorado mais obediente do mundo e quando deres por ela já nem a quarta feira à noite terás livre para a saída de homens... BUAH AH AH AH” Não compreendo, a sério. Passamos toda a santa história da humanidade a aguentar e a sobreviver a torturas e descriminação. Ainda hoje é o que é, com excisões, escravatura sexual, queimadas vivas e sei lá eu que barbaridades mais. A Margaret Sander e outras que tais rebolariam dentro dos seus caixões se soubessem da tamanha estupidez destas coitadinhas do século XXI, a quem se lhes tem de desculpar tudo porque é da TPM. Pois comigo, estão fodidas. TPM é um caso muito sério, e eu conheço mulheres que sofrem bastante com esta herança genética da porra, e nunca as vi utilizarem a airosa desculpa para se livrarem de trabalhos e responsabilidades (as minhas amigas são mulheres cheias de personalidade). Por isso, as parvinhas que me passem pela frente com esse tipo de merdas que se amanhem, porque de mim, não esperem nem sequer Trifenes emprestados.

2 comentários:

RP disse...

Eu gostava de ter TPM. TPM e maminhas. Assim tinha soutien. Como consequência de ter soutien, podia queima-los. E enquanto os queimava, berrava pela libertação da mulher da mão pesada e totalitarista do homem. E ao libertar-me do homem, tinha iguais direitos e oportunidades. E com as mesmas oportunidades. E com as mesmas oportunidades, poderia ter as mesmas responsabilidades e status profissional. E com o mesmo status profissional, podia usar o TPM para desculpabilizar qualquer coisinha. Eu gostava de ter TPM.

Margarida disse...

Realmente, saiste-me cá um espertalhão!