16.6.07

Santo António já se acabou...

Esta semana foi de Santo António, em Lisboa, evento a que qualquer alfacinha que se preze deve apelidar de “fantástico”, “espectacular” ou outro adjectivo assim não muito elaborado. Sinceramente, eu pergunto-me: como é que alguém pode gostar daquilo? Eu digo isto sem qualquer tipo de snobismo, de verdade. Sou uma rapariga prática, faço campismo desde que nasci, corri festivais de Verão vários anos seguidos, não tenho medo de aranhas, ratos, gafanhotos e adoro sardinhas (quer dizer, comê-las) e adoro também a minha Lisboa maravilhosa... mas da próxima vez que for aos santos populares é porque me converti numa pessoa importante e um convite irrecusável me obrigou a estar sentada na tribuna VIP, a assistir a esse must da nossa cultura, totalmente desprovido de sensualidade e glamour: as Marchas Populares. Doutra forma, obrigada, mas não, obrigada. Uma coisa é a natureza, outra coisa são os santos populares. Carrego nos ombros vários anos de santo António, pelo que falo com relativo conhecimento de causa. Mas a cada ano eu perguntava-me cada vez com mais frequência: “Porquê?” “O que faço aqui?”. E claro se uma pessoa se pergunta muito o porquê de uma coisa, o melhor é acabar com ela. Para a vida, ficam memórias interessantes. As histórias são (quase) sempre as mesmas e em geral contadas como se de coisas extremamente únicas se tratassem. Eu como observo a coisa de fora já tenho discernimento para sistematizar a experiência por tópicos. - Comprar sardinhas (que sabe-se lá onde é que andaram) e comê-las rapidamente de forma a minimizar o número de encontrões por segundo, e ainda conseguir brindar com cerveja mal amanhada e frequentemente morna do tasco improvisado mais próximo. Impossível só mesmo não entornar a cerveja. Tudo o resto (inclusive intoxicação alimentar) pode acontecer. Classificação: 1 estrela – Que divertido! - Subir até ao castelo na hora de ponta da festa, algo que todos devem experimentar uma vez na vida (mas não mais que uma): desde esmagamento, apalpões cobardes, cheiro a vomitado, a suor e a peido, gente em pré-coma alcoólico (esses não chateiam, visto que já estão no chão) os outros que ainda estão longe do coma (piores, porradaria e caralhadas é com eles), há de tudo! Classificação: 2 estrelas – E-S-P-E-C-T-A-C-U-L-A-R! - O normal é que no ano seguinte a se ter subido ao castelo se decida ficar no mesmo sítio a noite toda, a conversar e a admirar as vistas. Se o local for bem escolhido até se vêem uns quantos famosos no meio da multidão que passa, e com descaramento suficiente é possível conseguir foto com a estrela! Classificação: 3 estrelas – Momentos para a vida! - Ter encontros imediatos com as meninas que participam nas marchas, principalmente se forem dos bairros com mais “tradição” – são espécies em vias de extinção do povo de Lisboa – mas é recomendável não as olhar nos olhos e muito menos para o namorado, que isso dá direito a tareia, no mínimo. Classificação: 4 estrelas – Isto já é muito mais que diversão é, isto é outra dimensão! - Mas o ponto mais alto de qualquer Santo António é IR de CARRO(!)... e REGRESSAR DE CARRO(!!). Lindo. Isto sim, é garante de uma noite de cinco estrelas. O início da noite é caótico, o meio é qualquer um dos supracitados acontecimentos, e o desfecho é TOTALMENTE imprevisível: operação stop e oh, como pode ser, como? MULTA! Depois, há que comentar com ar de pessoa injustiçada da sociedade civil: “é pá, nem imaginas, fui apanhado numa operação stop nos santos populares... e acusei, eu que nem bebi quase nada...” Classificação: 5 estrelas – Sou o máior! Mas o mais importante, quer a experiência seja de uma ou cinco estrelas, é respeitar a diversidade de opiniões no nosso mundo. Eu não gosto, não vou. Quem gosta, vai. E aconteça o que acontecer, é, literalmente, um banho de cultura portuguesa. O que quer que isso implique... ou signifique.

4 comentários:

Barras disse...

Eu das marchas em particular não gosto nada mesmo, mas das festarolas aqui mais para os lados de Sintra com boa musica pimba, sou fã!!!

RP disse...

Eu piquei o cartão e já tenho Santos populares que cheguem para mais 4 anos...que foi mais ou menos a última vez que fui, para além desta. :)

Margarida disse...

Barras, és o André da Rita? :)
Felizmente que para ir a uma festarola pimba não é preciso ir a Lisboa!

Ricardo, todos os anos dizes o mesmo, és um viciado em Santos Populares, deixas, deixas, mas voltas sempre! :p

Anónimo disse...

Quando tinhas 6 ou 7 anos, não me recordo exactamente, fomos na noite de Stº António a um desses bairros tipicos e gostaste bastante, e por fim perto da 1 e tal da manhã andavas na Alameda a andar de baloiço ( nesse tempo existia lá um parque infantil). Realmente não há nada como a inocência das crianças.... até gostam dos Santos Populares