1.10.07

Go Go Hillary!

Aqui há uns anos, no meu primeiro artigo de opinião na revista Aetécnico (que ainda pode ser visto aqui), citei Nancy Mitford nessa sua verdade irrefutável: "Um rei que gosta do prazer é, sem dúvida, menos perigoso que um rei que deseja a glória." Há uns anos atrás nem Bush aparentava ser tão asqueroso e idiota, nem a mim me passava pela cabeça que um país pudesse ter a grande lata de fazer powepoints e chamar àquilo "provas" de como Saddam tinha armamento químico aos pontapés lá no Iraque. E portanto, também eu, num determinado momento, opinei que a paz às vezes não resolve tudo e que não se pode deixar um ditador louco com aquele arsenal nas mãos e não fazer nada em relação a isso. A verdade é que Bush é óbvia e clara e estupidamente louco, tem a maior máquina de guerra do mundo e ninguém faz nada, a começar pelo povo americano e a terminar na sede das Nações Unidas. Às vezes dou comigo a pensar que, se fosse iraniana ou iraquiana ou qualquer nacionalidade desse estilo, a única opinião que me permitiria ter do ocidente é que somos todos uns copinhos de leite amestrados. É assim este mundo, contraditório até mais não. Mas bom, isto para dizer que em 2002 já eu morria de saudades do Clinton, do seu ar bonacheirão e dos seus esforços pela paz, etc., etc., etc.. Antes disso já achava ridículo aquele espectáculo mediático em torno do seu affair Lewinsky, afinal, who cares? além dos obstinados americanos, até parece que lá nessa grandiosa nação os homens não encornam as mulheres a torto e a direito, como aliás no mundo inteiro. Já passou quase uma década e eu confesso que tenho vibrado com este mais que previsto regresso da família Clinton à Casa Branca. É bom demais para ser verdade mas a coisa está a compôr-se, e eu só desejo que sim, que chegue depressa esse dia. Um dia que espero que fique na história como esse grande marco da “primeira mulher” presidente dos Estados Unidos da América, mas sobretudo por um retorno à paz, paz, um bocadinho de paz, que assim nada feito, que já temos demasiados problemas neste nosso planeta para ainda inventarmos mais alguns. A minha esperança renova-se a cada semana, quando abro as páginas do meu Economist recém entregue e leio coisas deste estilo: “But Mrs. Clinton looks much more like a president-in-the-making than any of her opponents, Republican or Democratic.” Sim, sem dúvida. E o que o Economist diz, tem muita força...

2 comentários:

RP disse...

Pois que concordo plenamente contigo. Vocês, mulheres, são um "monstro há muito adormecido, que quando acordado ninguém o pára.". Tipo Benfica, mas muito mais giras e com a legitimidade de usar o cabelo à menina.

Alias, *cof*, eu próprio acredito que a vaga de mudança está a decorrer. Já há filmes e séries americanas que retratam exactamente essa possibilidade: de uma Mrs. President na sala Oval. Acredito que isso faz parte de um plano a médio prazo para habituar o Povo Americano a uma ideia até há muito tempo impensável.

Vai ser curioso ver o experiente Bill Clinton como 1º Marido. Alias, a ideia está-me tão fora de hábito que nem sem como se trata: 1º Marido? 1º Damo? Consorte? Hum... e será que a Hillary se envolve com um tipo do NSA? :D

Margarida disse...

Eu gosto da expressão 1º Damo, é assim fofinha, não sei... e quanto a isso de que somos um monstro adormecido... isso é o que vocês pensam! :p