28.5.07

Ter dois dedos de testa...

... é por gasolina no Intermarché (ou qualquer outra cadeia de supermercados que venda mais barato e ainda em cima com desconto das compras efectuadas). Isto é garantido, meus amigos. Olhem que eu sei como se faz gasolina. E mai nada!

3 comentários:

vicks disse...

Não quero ser chato, mas também sei como se faz gasolina.

Como é que consegues disseminar semelhante barbaridade como: Viva a grande distribuição???

Ora, na refinaria existem vários reservatórios que contem gasolina "acabada". Todas elas obedecem às especificações europeias (excepto a que vai para os US) no que diz respeito a poluentes e índice de octanas, entre outros. Como as petrolíferas estão a perder cota de mercado na distribuição (quase 50% na Europa!), a sua técnica de marketing passa muito pela diferenciação. Ou seja, quando entra o camião da Repsol, por exemplo, vai para o sitio de descarga 1, aquele onde o carburante é o topo de gama, o mais eficiente, o que já está a 10 pmm de enxofre, o que resulta de anos e anos de R&D, o que possui maior percentagem de gasolina do reformer, o que tem os melhores aditivos (MTBE ou ETBE, butano, anti-espumantes, anti-congelantes, entre outros).
Quando entra o camião do Intermarché, vai para o sitio 4, aquele onde a gasolina sai a 50 ppm de S, onde a maior percentagem vem do FCC ou do crackers, e onde nem um aditivo é misturado. A gasolina tem o mínimo exigido para passar nas normas.

Em termos de custo a coisa vai dar quase ao mesmo porque a maior parte dos aditivos vem da petroquímica deles ou do know-how adquirido. Então porque a diferença de preço ao consumidor?

Porque a grande distribuição não quer ganhar dinheiro com a venda de gasolina. O que eles querem é "absorver" clientes. - Olha, já que estou aqui, vou fazer compras ou vice-versa.-> Isto é o objectivo deles. Eles vendem a preço de custo a pior gasolina que há no mercado.
Numa bomba como deve ser, para alem dos impostos (40-50%!!), pagas uma fatia pelo serviço (sabe bem ter chão sem manchas de gasolina, empregados formados especificamente, marketing com os seus pequeninos gadgets), pagas outra fatia pela qualidade da gasolina (sim, o preço é usado como factor de diferenciação) e pagas a rentabilidade do sector de distribuição das petrolíferas (cash-in TOTAL por exemplo, 70% produção, 25% refinação e apenas 5% para a distribuição).

Moral da historia, quando tiveres de ir ao mecânico de dois em dois anos mudar as juntas dos cilindros, ou as velas, ou o recheio do catalisador de 3 vias, vais-te aperceber que qualquer coisa correu mal. Ou então quando o teu carro novinho, provavelmente com tecnologia de injecção difusa não pegar num dia frio ou porque o carburante congelou nos capilares de alimentação (diesel sobretudo) ou porque a sua tensão de superfície é demasiado alta, causando clitching a torto e a direito, aí vais sentir a diferença.

O barato sai caro! A grande distribuição foi o maior barrete que enfiaram ao consumidor desde as marcas brancas...

No entanto, não deixas de ter razão no que dizes. Dois dedos de testa chegam para fazer economias pontuais. Não chegam é para perceber as regras do jogo... são precisos no mínimo 3!

Tito disse...

Desculpa discordar, vicks, mas ainda ninguém vende gasolina 10ppm como "normal" eurosuper 95. E não vejo razão nenhuma para as grandes superfícies terem uma gasolina de segunda, até porque para um refinador só há dois tipos de gasolina acabada: a "on-spec" que se vende na europa e a "off-spec" que se manda para áfrica.
Os combustíveis especiais de corrida que são fruto de anos de R&D são vendidos à parte com o marketing adequado (V-Power, G-Force, etc). Tudo o resto é a mesma coisa.
Isto é mais marcante em Portugal onde temos a Galp que produz para todas as distribuidoras. Por exemplo, os combustíveis de Sines que são enviados para Aveiras pelo pipeline são vendidos às distribuidoras e enquanto umas podem acrescentar alguns aditivos "mais performantes". A Galp nada lhe acrescenta, e não é a única a fazê-lo! Daí que a gasolina da Galp é igual à do Jumbo!
Já agora tens de me explicar essa das gasolinas pricipalmente feitas a partir do FCC e como chegas ao índice de octano certo. E se é tão má essa gasolina como é que vais fazer quando limitarem ainda mais o teor em aromáticos permitido nas gasolinas?
Quanto ao carro ele foi feito para apenas comer a gasolina feita on-spec, tudo o resto é folclore. É como a história da super98: ou tens um carrão com um injector capaz de se autoregular para tirar partido disso, ou então é igual ao litro!
Concluindo, o preço baixo nos combustíveis dos supermercados deve-se a tudo o resto que não os combustíveis. Deve-se sobretudo a já terem terrenos, infraestruturas, serviços de RH e marketing pago pelo supermercado em si.

Xau
TC

Margarida disse...

Pois Victor, eu também concordo com o Tito. Tu estás há demasiado tempo fora de PT, já não percebes nada disto! :p
A dos dois dedos de testa era um gozo a um anúncio da GALP (procura no YouTube), e de facto a gasolina em Portugal é toda igual e em Espanha também. Em França não tenho a certeza mas o que é certo é que a gasolina está dentro de especificações e isso chega. Tu trabalhas em catalizadores, mas olha que eu trabalhei numa petrolífera e eles várias vezes me disseram que as cenas que eles juntam, bom, não é para tanto. É como esta cena agora do leite XPTO que custa mais 30 centimos que um leite normal. É leite, e por muito boas que sejam as vacas, continua a ser leite. Mas a publicidade faz milagres, claro!

Em relação ao atendimento nas gasolineiras, experimenta ir à galp dos olivais e verás a grande formação que têm. Eu pessoalmente sempre fui melhor atendida no Intermarché de Sines.

Só mais uma coisa, as marcas brancas não são nenhum barrete, e isso até pode ser ofensivo para muita gente, já que nem todos se podem dar ao lujo de consumir marcas de primeira linha. Mas gostei da argumentação, tem o seu sentido (embora não me convença).

Tito, continuas a escrever da forma tão clara e correcta que sempre te caracterizou. Para quando um regresso ao Fado Portuguez?

Um beijinho aos dois,
Margarida