6.2.09

2009

Acho que o que gostei mais de viver na Bélgica, na minha querida Gent, foi a ausência total de pobreza. Foi como viver noutro mundo. Realmente, era outro mundo. É perigoso viver num sítio assim, porque fdepressa nos esquecemos dos males do mundo. Eu, sem dúvida, esqueci-me. E isso fez o meu regresso a Lisboa ainda mais problemático. Estou um bocado esgotada e não me sai o texto que gostaria de escrever. Tenho demasiadas ideias na cabeça. Mas de um ponto de vista totalmente egoísta, gostava de ser mais indiferente, seria bem mais cómodo viver. Na minha rua a crise nota-se. De repente há gente a pedir, de repente há gente a vasculhar os caixotes de lixo, à noite. Mas como já não é Natal, ninguém ajuda ninguém. Nem ninguém quer saber. Só restam os olhares desviados e o passo apressado, que o mais fácil é nem pensar nas histórias, nem as ouvir, e assim dormir (mais) descansado.

6 comentários:

Restelo disse...

Fazes me lembrar a minha estadia em Tavaux, durante o meu estágio. Naquele fim de mundo calmo e pacífico onde adorei viver. Era o oposto de Lisboa!

CherryBlossom disse...

Nunca estive na Bélgia mas penso que nesse ponto deve ser +- como o Luxemburgo. Já lá fui várias vezes e nunca vi ninguém a pedir ou a viver na rua. Nunca pensei que em Madrid houvesse tantos desalojados e gente a pedir, é incrivel mas ve-se muito mais que em Lisboa. Agora com o frio que tem estado ainda dói mais... Há um sr na Gran Vía que se veste de palhaço e fica ali sentado, com a cara mais triste que eu já vi na vida, e ele já nem pede. Fica ali só. Cada vez que lá passo dá-me vontade de chorar. Ás vezes quem me dera puder passar ali e não ver ou não ligar. Isto tudo para dizer que compreendo o que queres dizer.

Saltos Altos Vermelhos disse...

Sim sim, já tive essa sensação em algumas cidades que estive, aquando da minha volta!

Margarida disse...

Restelo,
exacto. É bem mais fácil.

CherryBlossom,
chegaste em má altura. Vê-se a coisa piorar de dia para dia.

Saltos Altos Vermelhos,
pois é, o mundo é mesmo muito desigual!

Júlio disse...

Já me custou mais a habituar a essa ideia, entretanto lá consegui arranjar um esquema mental que não me deixa ficar lixado comigo mesmo por causa do que eu posso e não posso fazer.
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Margarida disse...

Júlio,
espero que nesse esquema mental esteja bem distribuido a favor do que "podes" fazer. Acho que podemos sempre mais do que normalmente achamos. :)