24.9.09

Serão pitas?

A capacidade do blogosferio feminino em alardar o que duas ou três (vulgo líderes) opinam é, há que admitir, impressionante. Também é algo perigosa, mas enfim, vou abster-me de análises complicadas e deixar isto light. De momento anda tudo ai que horror, ai que coisa fútil, ai que crime hediondo: a Soraia Chaves vai ler bocados daquele livro (ai ai, também ele um horror e ainda por cima tem festa, que horror!). E a Soraia Chaves? Boa nas horas, horror supremo. Ora, uma importante percentagem desta gente andava, ainda há poucas semanas, a postar e a linkar e a adicionar desenfreadamente o Alfaiate Lisboeta, e aí a conversa era: ai que blog tão fixe, ai que fofinho, ai e é bem verdade que agora que ele publicou uma foto no blog é que estou toda maluca, mas é coincidência, eu até já gostava do blog antes (e "yada yada", que há que seguir as modas da blogo). Mas o que seria que aconteceria se, em vez da Soraia, fosse o supracitado costureiro a ir recitar o 2666? Será que havia tanta indignação e mal dizer? Obviamente que não. Estas meninas são em geral umas invejosas que não podem sentir o cheiro de gaja boa nem virtualmente falando. Em geral, são também solteiras à procura do príncipe. E o Alfaiate é um grosso. No caso dele, isso não é um horror.

5 comentários:

cipereira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
cipereira disse...

Tendo em conta os intervenientes (activos e passivos), melhor do que eu alguma vez diria!

100 % de acordo!

Luna disse...

Bem, tendo em conta que fui uma das pessoas que focou o assunto, aliás, ambos, acho que tenho algo a acrescentar.

Primeiro, já não podia ouvir falar no livro antes sequer de saber que tinham alugado a Soraia Chaves para ler umas passagens no seu lançamento.

Sendo que leio muitos blogs, muitos deles dedicados à literatura, achei um certo exagero a histeria gerada à volta do 2666, como se fosse o melhor livro alguma vez escrito em toda a história da literatura. E, se tal não bastasse, todo o golpe de marketing à volta dele, desde o lançamento mediático, aos shots de margarita, às t-shirts, e à Soraia. O que choca, não é ela ser boa, ou o que seja, mas a exploração meramente comercial da literatura, e o circo montado em seu redor. Não, o problema não é ser a Soraia, mas o facto dela não ser, nem de perto nem de longe, alguém ligado ao mundo literário.
Tudo isto reveste o livro de uma superficialidade que me desagrada. Só faltava porem em música de fundo, como os vendedores da herbalife, "1 million dollar profit! 1 million dollar profit!".

Pusessem uma Paula Moura Pinheiro ou uma Anabela Mota Ribeiro a ler, e não creio que alguém se insurgisse.

Quanto ao Alfaiate, fala de moda, tem um blog sobre moda, e dentro do que faz, é bom. Ponham-me a Soraia numa premiére, e acho muito bem. Mas parecer-me-ia tão mal convidarem a Soraia para ler excertos dum livro que não leu, e possivelmente não lerá, quanto o Alfaiate. E não é achar que fazem mal - não fazem, eles querem mesmo é vender - a mim é que, pessoalmente, me desagrada.

Margarida disse...

Cipereira,
bem-vinda ao estaminé!

Luna,
o livro a mim não me aquece nem me arrefece, e só soube da sua existência porque li o teu post e o da Ana de Amsterdam, blogs que costumo visitar. Eu, por motivos óbvios, sou normalmente mais influenciada pelos histerismos dos hermanos aqui deste lado da fronteira. Aliás, apesar de ultimamente andar a investigar um pouco mais a blogo tuga, a verdade é que estou muito por fora do gossip habitual, e a maioria das coisas (o Alfaiate também) descubro-as através do teu blog.

De resto, incluo-te no grupo das líderes que menciono no início do post. O que escreves é a tua opinião, com a qual muitas vezes concordo e algumas discordo. E é normal que seja assim com pessoas que usam a cabeça para pensar. O que se calhar não te dás conta é a quantidade de gente que escreve, depois de ti e de umas quantas mais, coisas muito parecidas, mas sem nenhum tipo de raciocínio argumentativo. Não é uma coisa má, claro, as pessoas tendem a seguir os seus ídolos (seja à escala que for) e escrevem nos seus blogs o que lhes dá na gana, mas eu acho isso bastante cómico, embora algo enfadonho. São a essas que me refiro no post que escrevi.

E acho também, pelo que vejo, que muitas criticam gajas boas só porque são boas, não por nenhum raciocínio mais elaborado como o teu. Mas claro, posso sempre estar enganada...

Beijinhos!

Maldonado disse...

Tu resumes polidamente a impressão que eu tenho acerca desse tipo de blogs:

http://a-terceira-via.blogspot.com/2009/07/blogs-de-gaja-ou-o-galinheiro-virtual.html

http://a-terceira-via.blogspot.com/2009/07/o-hamlet.html

São blogs demasiado superficiais, os quais veiculam certos estereótipos femininos que em nada dignificam as capacidades intelectuais da Mulher...