21.4.10

Não me guio pelas ISO da qualidade

Há pouco tempo mais ou menos por acaso vi um filme adapatado do romance do Somerset Maugham "O véu pintado". Naquelas breves linhas que se se viam claramente puxadas do texto original, (tem de estar brilhante, a ver se me lembro de comprar), a dada altura os protaganistas alinham uma daquelas conversas redentoras que explica tudo o que ficou para trás e define tudo o que está para a frente. Ele diz-lhe algo do estilo "tens razão, não deviamos ter procurado um no outro qualidades que nunca tivemos".

Por muito tempo procurei nos outros qualidades de insatisfação constante, necessidade de melhoria contínua, frontalidade e sinceridade. Desisti, finalmente. Essas são qualidades minhas.

Ao contrário, os outros procuram geralmente em mim uma simplicidade que não tenho, avaliam-me como sendo demasiado exigente e ao mesmo tempo criticam-me a facilidade para perdoar - os outros - que toda a gente gosta de fazer merda da grossa e ser perdoado, mas toda a gente acha que os outros não são assim tão merecedores. É que na realidade, não é uma questão de se merecer ou não. É só uma questão de não procurar nos outros qualidades a que nunca aspiraram.

Por isso mantenho algumas relações incompreendidas por terceiros também eles muitas vezes incompreendidos, ou porque a pessoa é uma invejosa, ou porque é mentirosa, ou porque é simplesmente tóxica, cheia daquele veneno à laia de uma no cravo e outra na ferradura (confesso que este género me dá especial gozo, principalmente porque gostam de se passar por inocentes, e a malta compra) .

O que eu não tenho de certeza é relações com pessoas desinteressantes. Essas aborrecem-me e irritam-me, é detesto apatia. As outras, cheias de defeitos, normalmente têm qualidades extraordinárias também - que eu aproveito, como não, que toda a amizade é egoísta.

Eu sou daquele tipo que julga, mas que continua a relacionar-se com o criminoso. O melhor de tudo é que nem por um único minuto deixei de dizer a todos eles aquilo que pensava do que foram, do que são e do que poderiam ser. Porque insatisfação constante, necessidade de melhoria contínua, frontalidade e sinceridade são qualidades minhas. Se aceitarem isso, são bem-vindos.

2 comentários:

Rita Maria disse...

Este post está tao bom, tenho já de ir citar-te!

Maggie disse...

Eh eh obrigada! :)