25.4.09

O resto dos outros (#4)

O ponto que queria marcar com a perguntinha nada inocente do primeiro desta série de posts, que, recordo, se pode traduzir como "onde é que está a informação quando nós precisamos dela?"***é: não seria melhor haver uma estrutura decente qualquer que ajudasse, de forma eficiente, um jovem a escolher a sua profissão? Aqueles psicotécnicos manhosos que nos fazem na escola, não servem para nada, o que prova que dificilmente o grátis é bom: na minha turma a 80% deu-nos que podíamos escolher "tudo". Ora obrigadinha, sim, e emprego, onde é que ele está? Eu até acho que o mercado de trabalho de qualquer europeu é, no mínimo, a Europa. Mas há quem pense de forma diferente. Há quem não sinta essa luta interna entre as saudades de casa e o gostar de conhecer outras paragens. E esses, como ficam quando descobrem que o curso que escolheram "não há" no mercado de trabalho? Digo eu, muito contentes não podem ficar. (***Nota: se algum freakalhoide responde "Google", relembro que em 1997 não existiam motores de busca dignos desse nome.)

24.4.09

O resto dos outros (#3)

É preciso explicar que eu nem me importei de vir viver para fora de Portugal. Mas também, não é que tenha tido propriamente escolha, naquele Verão de 2005 em que estávamos todos de tanga (oiço dizer que continuamos). Bom, podia ter ficado mais uns tempos a parasitar em casa dos meus pais, mas quem me conhece sabe bem que para mim essa não era, realmente, uma opção. Acho que podia ter entrado naqueles estágios que o BPI dá aos alunos do IST. Mais uma vez, isto não era uma opção. Não que eu tenha alguma coisa contra o BPI, que não tenho, a minha mãe trabalha lá e é um emprego perfeitamente normal, mas para isso tinha tirado gestão em vez de andar seis anos e meio a queimar as pestanas (e não só) no técnico, sem férias de Verão nem coisa nenhuma. Podia ainda ter pedido ao meu pai para meter a cunha com o seu amigo chefão na Tabaqueira, mas... sim, isso não era uma opção. Era o meu primeiro emprego e ia-me dar cabo da auto-estima entrar com cunha. Além de que eu sou das mais acérrimas críticas das cunhas e seria muito hipócrita da minha parte, no fim de contas, usar uma. Portanto, pensando bem eu até tive alternativas (pelo menos em teoria) a sair de Portugal. Mas eram alternativas que não me satisfaziam e por isso decidi esticar as minhas fronteiras. Mas sim, tive alternativas. No entanto, há quem não as tenha. De todo.

23.4.09

O resto dos outros (#2)

No caso do meu curso (engenharia química) nem é assim tão dramático que não haja indústria em Portugal. A formação é sólida e de banda larga, e a maioria da malta é capaz e dispersa-se por outras áreas: banca, consultoras, economia, política, educação, de tudo um pouco. Mas isto é um exemplo. Já noutros casos a história muda de figura. Um jornalista, por exemplo, se não for jornalista, dificilmente vai dar em economista. Até pode querer (que em geral não querem), mas o resultado tem uma grande probabilidade de ser desastroso.

22.4.09

O resto dos outros

Faz agora três anos, que, já andando a laurear a pevide por terras de nuestros hermanos, comecei a trabalhar num memorável projecto de incineração dedicada de resíduos industriais perigosos (isto merece um comentário noutro post). Adiante. A páginas tantas, descobri este gráfico.
Fonte: Feique
Ora, lá porque vivo em Espanha não significa que renegue o meu país querido do qual digo tanto mal, mas do qual gosto tanto (especialmente quando estou fora). Por isso, uma minha reacção semi-pavloviana levou-me a procurar, com ânsia, por Portugal.

Então, foi assim (vou tentar descrever os meus pensamentos aquando da observação do dito gráfico): Escrutínio rápido do gráfico - ok, os grandes, Alemanha, França, etc., talvez aqui nos mais pequenos, Irlanda, Bélgica, humm, não. Ok, estamos no "Resto", faz sentido, somos um país pequeno afinal... bom, a Bélgica também, mas pronto, eu vivi lá, as pessoas são diferentes lá, compreendem que a riqueza económica não cai do céu, é uma questão de mentalidade, que até temos boas condições para pôr mais indústria. Olha Sines, e aquele espectacular porto. Enfim. Ok, portanto, "Resto". Escrutínio rápido, início da lista, Suécia, Polónia, humm, meio da lista, Áustria... merda, queres ver que estamos no fim da lista? É sempre a mesma coisa, pá! Bom, vamos lá ver, fim da lista... Hungria. Hungria? Não há mais? Devo ter visto mal... deixa lá ver outra vez. Suécia, Polónia,..., Hungria. Pois. Não estamos. Ah, mas depois de Hungria vem "Outros". Ok. Estamos nos "Outros".

Escusado será dizer que não há gráficos com os "Outros". Os "Outros" não interessam. Porque ou és mais importante, e saltas à vista, ou não és tão importante, e estás no "Resto". Agora, se estás nos "Outros" do "Resto", vaitafoder, porque aqui não pintas nada! Porque és, nem mais, o resto dos outros. E esta é também, assim em linhas gerais, mais ou menos, a mesma razão porque nunca aparecemos nas tabelas da última página do Economist, mesmo que lá apareçam todo o tipo de inusitados países. Agora, perguntinha: quando eu tinha 16 anos e estava a decidir a que engenharias me ia candidatar, onde é que andavam estes gráficos?

21.4.09

Dona fora...

dias santos no sofa! Suances - "Que bom é este sofá preto! Fico meio camuflado... e os meus pelos brancos fazem um contraste muito fashion!"
Quico - "Olha, o Suances no sofá! Também quero!!!! Será que a dona não está a ver?"
Suances e Quico (em coro, bastante panascas) - "Ai ai, este sofá é mesmo confortável... e o dono é mesmo porreiro, pá!"
(Nota: A espectacular qualidade fotográfica do iphone do "dono" está claramente demonstrada nas obras acima apresentadas).

19.4.09

De cerca, nadie es normal

La acción transcurre en una familia, en apariencia “normal”, una hija “normal”, unos problemas “normales”, un amigo “normal” y un novio con problemas de reinserción… esta mezcla explosiva provoca una serie de planteamientos acerca de la educación que los padres, en la actualidad, imparten a los hijos. Es lícito responsabilizar a los padres de todas las acciones de los hijos? Son los hijos los grandes perjudicados del último cambio generacional? Sea como sea, esta comedia muestra un reflejo de las familias actuales en apariencia “Normales”.

Fartei-me de rir. E deixou-me a pensar. Entradas no atrapalo.com. Últimos dias!

16.4.09

Poesia Matemática

Às folhas tantas Do livro matemático Um Quociente apaixonou-se Um dia Doidamente Por uma Incógnita. Olhou-a com seu olhar inumerável E viu-a, do Ápice à Base, Uma Figura Ímpar; Olhos rombóides, boca trapezóide, Corpo otogonal, seios esferóides. Fez da sua Uma vida Paralela a dela Até que se encontraram No Infinito. "Quem és tu?"indagou ele Com ânsia radical. "Sou a soma dos quadrados dos catetos. Mas pode me chamar de Hipotenusa." E de falarem descobriram que eram O que, em aritmética, corresponde A almas irmãs Primos-entre-si. E assim se amaram Ao quadrado da velocidade da luz Numa sexta potenciação Traçando Ao sabor do momento E da paixão Retas, curvas, círculos e linhas sinoidais. Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclideanas E os exegetas do Universo Finito. Romperam convenções newtonianas e pitagóricas. E, enfim, resolveram se casar Constituir um lar. Mais que um lar, Uma perpendicular. Convidaram para padrinhos O Poliedro e a Bissetriz. E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro Sonhando com uma felicidade Integral E diferencial. E se casaram e tiveram uma secante e três cones Muito engraçadinhos E foram felizes Até aquele dia Em que tudo, afinal, Vira monotonia. Foi então que surgiu O Máximo Divisor Comum Freqüentador de Círculos Concêntricos. Viciosos. Ofereceu-lhe, a ela, Uma Grandeza Absoluta, E reduziu-a a um Denominador Comum. Ele, Quociente, percebeu Que com ela não formava mais Um Todo, Uma Unidade. Era o Triângulo, Tanto chamado amoroso. Desse problema ela era a fração Mais ordinária. Mas foi então que o Einstein descobriu a Relatividade E tudo que era expúrio passou a ser Moralidade Como, aliás, em qualquer Sociedade.
De Millôr Fernandes, Brasil, 1923 -

14.4.09

Top 3 Madeira

Mas também houve outras coisas muitos giras. Flores, tunéis, bananeiras, Coral, paisagem bonitas, curvas e contracurvas, calhaus em vez de areia, pão do caco, maracujás, calçada portuguesa arranjada de maneira decente (ie, com cimento), pessoas amáveis, vaquinhas fofinhas, e até um casamento algo, hum, enfim, sui generis. Para mais tarde recordar.

13.4.09

A dura realidade é...

... o fim das férias. Estive na Madeira, estive em Lisboa, foi tudo muito giro, ponchas na Madeira, almoços de família em Lisboa, uns kilinhos a mais para estimular a dieta, etc, etc. E agora Madrid outra vez - e eu gosto muito de Madrid, mas acho que gosto mais das férias. :)

29.3.09

Coisas da vida

Trouxe o meu carro espanhol para Lisboa. Agora ando com palpitações e suores frios a pensar que durante a noite algum português ressaibiado vai dar pela diferença na matrícula e pegar fogo ao pobrezinho.

28.3.09

Ainda o tempo

E nunca pensei chegar ao dia da minha vida em que desejo mais ter tempo, que ter dinheiro. Mas se um é outro, suponho que, no fim, vai dar tudo ao mesmo.

27.3.09

Quero muito mais

Mas o que eu gostava mesmo era de ter tempo para ter vontade de escrever no blog. Chego à conclusão que não pertenço ao grupo das pessoas que porque fazem pouco têm tempo para escrever tudo e mais alguma coisa, nem ao grupo das pessoas que, não tendo tempo, ainda assim nutrem carinho e dedicação pelo seu blog (estas últimas são alvo da minha mais profunda admiração). Acho que, pura e simplesmente, pertenço ao grupo das pessoas que gosta de escrever, gosta da ideia de ter um blog, mas que não o inclui na sua lista de prioridades. Assim sendo... os dias passam... e o blog sempre igual. E teria tanto para dizer. Mas não tenho tempo.

25.3.09

14.3.09

Hot and Cold

You change your mind Like a girl changes clothes Yeah, you PMS like a bitch I would know And you always think Always speak cryptically I should know That you're no good for me 'Cause you're hot then you're cold You're yes then you're no You're in and you're out You're up and you're down You're wrong when it's right It's black and it's white We fight, we break up We kiss, we make up You, you don't really wanna stay, no You, but you don't really wanna go, oh 'Cause you're hot then you're cold You're yes then you're no You're in and you're out You're up and you're down We used to be just like twins, so in sync The same energy now's a dead battery Used to laugh 'bout nothing Now you're plain boring I should know That you're not gonna change 'Cause you're hot then you're cold You're yes then you're no You're in and you're out You're up and you're down You're wrong when it's right It's black and it's white We fight, we break up We kiss, we make up You, you don't really wanna stay, no You, but you don't really wanna go, oh You're hot then you're cold You're yes then you're no You're in and you're out You're up and you're down Someone call the doctor Got a case of a love bipolar Stuck on a rollercoaster Can't get off this ride

11.3.09

Madrid by night

Ou como é bom estar cá uma semaninha inteira!

10.3.09

Ho ho, very funny; ha ha, it is to laugh...

Como nasceu o hábito dos casais andarem de mãos dadas? Foi um procedimento de iniciativa masculina... "Se eu a soltar, ela vai às compras."

9.3.09

A vida continua

Já bem adentro do mês de Março, declaro o início do ano finalmente terminado. Estamos finalmente em 2009. E ainda bem, já lá vai o Fevereiro horribilis. Agora só falta que chegue depressa o bom tempo (a sério). Tou farta de dormir de pijama.

17.2.09

As bruxas não existem...

... mas que as há, há - ou como quem diz, não sei se é mau olhado ou simplesmente má sorte, mas mas há momentos em que tudo vai mal, não há duas sem três, etc., etc.. Tudo começou com a úlcera no olho, ainda em tratamento e à espera de ver se não deixou cicatrizes, depois uma infecção na gengive que me apanhou o lado esquerdo todo da cara (ouvido incluído, que maravilha!) e como se não bastasse no sábado vomitei e vomitei e vomitei e quase que me matei para conseguir entrar no avião e vir para casa. Pareço os computadores da HP na semana seguinte ao fim da garantia - em colapso generalizado. A Mégui deixou-nos. Os meus problemas de estômago afinal eram um virús importado sabe-se lá como de Madrid, ou de A Coruña, ou do avião. O senhor virús instalou-se em casa e agora o meu querido Ricardo está na cama, igualzinho a mim há três dias atrás. Vamos lá ver se isto não dá epidemia nacional. Era só o que mais faltava.

16.2.09

A caminho de algo pior...

... a Venezuela não pára. E eu com amigos que fugiram de lá e que, se ficarem sem emprego, não têm muitas alternativas que não regressar. Só que, há seis meses, eram impensáveis os problemas de empregabilidade em engenharia de processos, em Espanha. Hoje... enfim.

13.2.09

Hipotecada

Anthony Suau, USA, for Time.
US Economy in Crisis: Following eviction, Detective Robert Kole must ensure residentshave moved out of their home, Cleveland, Ohio, 26 March 2008. Word Press Photo of the Year.

12.2.09

Adeus Mégui (2)

Estou a ficar muito cansada desta doença.

Adeus Mégui

Mais uma pequena que, apesar de todos os tratamentos, não resistiu ao Virus da Leucemia Felina (FELV). Foram seis meses felizes mas curtos, a nossa gatinha deixou-nos na última madrugada. Fazendo bem as contas, foi sem dúvida a melhor coisa que me aconteceu no ano de 2008.
Mégui em Agosto de 2008, poucos dias depois de ter sido salva da rua, a dormir uma soneca depois do biberão.

11.2.09

Oração dos passageiros frequentes

Que pilotos experimentados e profissionais nos acompanhem sempre, agora e na hora de voar, amén!

Aterrando em Bilbau, 9 de Fevereiro de 2009!

10.2.09

Desculpa blog...

... mas a luminosidade do ecrã fere-me a vista.

8.2.09

Úlcera Corneal

"Úlcera de córnea é a situação patológica onde há uma erosão na córnea, causada por uma infecção por bactérias, protozoários, fungos ou vírus, ou esta infecção posteriormente a acção de uma substância química, produzindo uma área da córnea sem epitélio, sua camada mais externa de cobertura. As úlceras causadas por bactérias são as mais comuns, sendo neste caso, podendo ser associadas ao uso de lentes de contacto, sejam ela rígidas ou gelatinosas. Como sintomas típicos desta patologia, temos a vermelhidão nos olhos, dores, fotofobia (incómodo com a incidência de luz) e falta de nitidez na visão. É caracterizado como uma emergência em oftalmologia e seu tratamento depende de sua causa e do agente causador específico." (Wikipédia) Estava-se mesmo a ver que abusar das lentes de contacto não podia ter um bom resultado. Sou mesmo idiota.

7.2.09

Em lista de espera

"And in the end, of course, it all went bad. The last part of the book makes sobering reading. The empires of the Big Rich, and their Neronian lifestyles, could not survive repeated collapses in the oil price. The Texas fields started to give out. The federal authorities played their part, tying up the oilmen with investigations of predatory pricing and a wiretapping scandal that almost destroyed the Hunt family. Today, the Big Rich are just humdrum rich."

6.2.09

2009

Acho que o que gostei mais de viver na Bélgica, na minha querida Gent, foi a ausência total de pobreza. Foi como viver noutro mundo. Realmente, era outro mundo. É perigoso viver num sítio assim, porque fdepressa nos esquecemos dos males do mundo. Eu, sem dúvida, esqueci-me. E isso fez o meu regresso a Lisboa ainda mais problemático. Estou um bocado esgotada e não me sai o texto que gostaria de escrever. Tenho demasiadas ideias na cabeça. Mas de um ponto de vista totalmente egoísta, gostava de ser mais indiferente, seria bem mais cómodo viver. Na minha rua a crise nota-se. De repente há gente a pedir, de repente há gente a vasculhar os caixotes de lixo, à noite. Mas como já não é Natal, ninguém ajuda ninguém. Nem ninguém quer saber. Só restam os olhares desviados e o passo apressado, que o mais fácil é nem pensar nas histórias, nem as ouvir, e assim dormir (mais) descansado.

2.2.09

Isto não são os Óscares...

... e o tapete é verde e não vermelho! Mas nos Goya também por lá se viram uns belos modelitos...

Rosana Pastor por Carolina Herrera

Olivia Molina por Azzaro

Angeles Gonzala Sinde por Devota e Lomba

Penélope Cruz, por Chanel

Mais detalhes sobre a 23ª edição dos prémios Goya neste meu artigo no Moviz, que eu, como não estou suficientemente contente com a minha genralizada falta de tempo, resolvi tentar este novo hobbie e colaborar com a malta! :)