2.7.09

Simplesmente Madrid

Madrid comecou por ser, back to 2005, uma alternativa a estar mais um tempo em casa dos pais à procura de um emprego incerto e mal pago, que é isso que espera a grande maioria dos recém-licenciados portugueses, ou pelo menos todos os que não têm uma rampa de lançamento chamada cunha. Disso nem o Técnico nos salva, com todo o seu nome e história, com todas as férias que não tivemos por comparação com outras áreas, com todos os exames a contar valores para chegar ao 10, que no IST é assim, lá vêm os putos com grandes médias do secundário e agora toca a mostrar-lhes que são uns asnos e que isto da matemática não são números, não senhor. E uma coisa é informática ou civil ou electro, outra coisa é engenharia química e afins, num país com meia dúzia de empresas de vão de escada a que todas juntas se chama pomposamente de indústria. Madrid alternativa ao desemprego depressa se converteu em Madrid only happens in Madrid e sim, é verdade, é preciso estar cá para sentir-lhe o gostinho, não me venham cá com tetras do "eu gosto é de Barcelona", e isto sem desmérito para as Ramblas mas freaks há-os às dezenas em Lisboa. Madrid é Madrid, ponto final parágrafo, e sem não acreditem provem que depois falamos. Deixei Madrid desfeita em lágrimas, porque não queria ir, não queria o que me esperava, aquele paraíso da qualidade de vida sem engarrafamentos, ainda mais à beira mar plantado e com o melhor peixe do mundo. Sines, terra abençoada e que de tão interessante fez Vasco da Gama atirar-se ao mar e só parar na Índia. Sobretudo, não gostei que me tirassem Madrid porque nunca gostei de fazer nada que me fosse imposto, e às marionetas até lhes acho piada, mas vistas desde aqui, da plateia. Assim, voltar para Madrid, conseguir voltar para Madrid, foi divino, foi mágico, foi a concretização de um sonho. Foi LINDO. E assim na brincadeira, já passaram mais de dois anos do meu regresso. Dois anos em que muito mudou, e em que a minha amada Madrid, esta Madrid que afirmo amar e desejar como nenhuma outra, tornou-se na cidade onde tenho casa, pouco mais. Madrid deu-me um novo emprego pelo qual muito ansiei. Só que desde então, é só andar para trás e para a frente, mais as idas a Lisboa, que todos os que mais amo estão por lá, e para Madrid resta de mim a parte cansada, ufa, esta semana estou cá, já que estou tenho de aproveitar para tratar de 50 mil coisas e olha, lá estou eu outra vez a apanhar um avião e a ver as torres já terminadas e tão brilhantes. Lá do alto, são ainda mais bonitas. Madrid deu-me tanto, que não me sobra tempo para Madrid. E oh, se é bom viver Madrid! Esta cidade, que de não ter praia tem tudo o resto. Mas as coisas são mesmo assim, felizmente para mim sempre imprevisiveis, ensinando-me diariamente que os planos só devem ser feitos para os podermos ir retocando, redefinindo e, de vez em quando, revampeando. Mas Madrid é, independente do resto, a minha cidade paixão. Sempre pensei que só fosse possível amar assim pessoas, ou Lisboa. Mas não. Lisboa é amor paternal, este é antes daquela espécie que desejamos viver para sempre e todos os dias.

4 comentários:

Cherry disse...

Que saudades grandes que me deu de Madrid ao ler o teu post!! Gosto muito de estar a viver em Londres e também me agrada muito a ideia de um dia voltar a Lisboa, mas acho que acima de tudo gostaria de ter a oportunidade de voltar a viver em Madrid. Quem sabe um dia!

r i t a disse...

Como te compreendo!!!

Restelo disse...

PT pelo menos para a reforma, regresso. Antes disso não sei. Não que não me importasse, mas porque profissionalmente não creio que seja o melhor para mim.
Aqui também não há praias, mas há tanto mais...

Margarida disse...

Cherry,
do que vi do teu blog foste o típico caso que veio assim meio por acaso e depois lhe tomou o gostinho! Um dia ainda nos encontramos por cá! :)

Rita,
pois, para ti Madrid tb é nota 10!

Restelo,
Pois mas tanta viagem e ainda não me vieste visitar! :p