6.5.10

Apenas o melhor

Uma vez um director de recursos humanos criticou-me, dizendo-me que eu tinha muita pressa, e que ficar “ali” e ter calma, seguramente me conduziria à carreira que eu desejava. Ele tinha razão na parte do eu ser impaciente, mas não tinha razão ao achar que “ali” era a única maneira de se atingir o objectivo proposto. Talvez não fosse uma questão de razão, talvez fosse simplesmente porque aquele papel tinha de ser feito, embora aquela parte do nos quererem convencer que apenas e só numa empresa vamos aprender, crescer, vingar e vencer e mesmo até quiça conseguir respirar me pareça a mim um argumento algo rebuscado, diria até demodé, de convencer alguém a ficar. Tipo uuuuuuh, o mundo lá fora é mau, tu fica mas é aqui quiteinha e tudo irá pelo melhor (no melhor dos mundos possiveis, complementaria então Cândido se estivesse presente).

Nunca deixei de acreditar que naquela empresa podia ter feito carreira. Mas nunca ninguém me convenceu é que esse percurso (ou qualquer percurso) tem de ser feito à custa da (in)felicidade pessoal. Não me arrependi. Se fui sempre feliz desde então? Não – pudera. Com esta insatisfação permanente que me assola, só sou realmente feliz quando não penso nisso, e para não pensar nisso, tenho de ocupar estes neurónios malvados com coisas realmente ternurentas (como amassar os meus gatos enquanto eles se babam em cima de mim) ou relaxantes (massagenzinhas) ou ainda, vocês sabem o quê. Pouco mais.

Na mesma, demorei tempo a perdoar essa empresa por me ter enganado, por me ter enviado para um buraco e, sobretudo, por achar que podia decidir por mim como ia ser a minha vida, e esperar que eu me ficasse, tão tranquila, como se nada fosse. Não sei bem em que parte do caminho lhe perdoei, mas ontem, quando falava com uma das minhas amigalhaças do coração, percebi que não, que já não havia nada mais que lembranças, não havia nem uma réstea de ressentimento, muito menos mágoa. Como se tivesse sido um grande amor do passado a quem hoje desejamos o melhor, genuinamente, mas nada mais que isso.

3 comentários:

Lovely Rita disse...

Bom, tu perdoas sempre; isso iria acontecer, mais tarde ou mais cedo.
O que me deixa mesmo feliz é que sei que o que dizes é absolutamente verdade... Primeiro: nao mentes. Em segundo: tens a felicidade estampada no rosto. Agora sei que estás de bem com a vida (vê-se em ti!). E acredita que isso me deixa a mim, feliz e tranquila.
E nao deixes de ser inconformada: sao os inconformados que mudam o mundo!
Um beijao grande para ti, gaja boa!

Lovely Rita disse...

Bom, tu perdoas sempre; isso iria acontecer, mais tarde ou mais cedo.
O que me deixa mesmo feliz é que sei que o que dizes é absolutamente verdade... Primeiro: nao mentes. Em segundo: tens a felicidade estampada no rosto. Agora sei que estás de bem com a vida (vê-se em ti!). E acredita que isso me deixa a mim, feliz e tranquila.
E nao deixes de ser inconformada: sao os inconformados que mudam o mundo!
Um beijao grande para ti, gaja boa!

Maggie disse...

:)